Conformismo e medo do risco: traços de 53,3% dos profissionais brasileiros

"Pessoas mais convencionais possuem muito autocontrole, por isso preferem guardar o que pensam", diz especialista

SÃO PAULO – Já parou para pensar em quantas pessoas discordam da maneira como os processos funcionam na empresa em que trabalham, mas não reclamam? De acordo com um estudo realizado pela Fellipelli, 53,3% dos profissionais brasileiros trabalham de forma mais convencional e tendem a fugir dos riscos, optando por não confrontar outras pessoas, permanecendo em uma zona de conforto.

A pesquisa, divulgada na segunda-feira (1º), foi realizada com 21.602 trabalhadores brasileiros, ao longo do ano passado, tendo por base ferramentas de análise de tipos psicológicos, que determinam as preferências de cada indivíduo.

“As pessoas mais convencionais geralmente possuem muito autocontrole, por isso preferem guardar o que pensam para si e resolver internamente seus problemas a externalizar e se impor, realizando, às vezes, tarefas com as quais não concordam, mas que não conseguem mudar”, analisa a sócia-diretora da Fellipelli, Adriana Fellipelli.

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“Se esse profissional aceitar o desafio de entrar em choque com as ideias impostas, talvez consiga melhorar muitos processos da empresa, por meio de contrapropostas”, acrescenta ela.

Inovar é preciso

A inovação é uma competência presente em apenas 12,1% dos profissionais. Por ser pequeno, o percentual indica que o potencial de renovação e de competitividade das empresas têm ficado aquém do nível satisfatório.

Embora todos os tipos psicológicos de profissionais contem com pontos a favor e outros contra, não existe um padrão ideal de profissional a ser atingido. Adriana acredita que a diversidade no meio corporativo é fundamental para garantir o bom andamento dos negócios.

“As pessoas se complementam nas mais diversas atividades do dia-a-dia. Enquanto algumas estão sempre inovando, outras conseguem ser mais organizadas e garantir a execução dos processos, por exemplo. Uns são mais extrovertidos e expõem melhor seus pontos de insatisfação, enquanto outros preferem pensar em outras formas de contornar o problema e projetar estratégias. Possuir um quadro de funcionários bastante heterogêneo é a chave para garantir a qualidade do trabalho”, diz ela.

Como aproveitar o melhor de cada um

Adriana finaliza lembrando que, para aproveitar corretamente o potencial de cada profissional e suas contribuições para os negócios, as empresas precisam recorrer a dinâmicas de grupo e muito treinamento.

“Investir na educação e capacitação emocional das equipes é fundamental para garantir a harmonia das atividades e o entrosamento dos colaboradores, tornando os negócios mais produtivos e inovadores”, garante.