Concursos públicos podem não contratar profissionais competentes

De acordo com ABRH, concursos avaliam conhecimentos técnicos, e não os aspectos necessários, como capacidade de liderança

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SÃO PAULO – Para ficar bem longe da crise e conseguir a tão sonhada estabilidade profissional, milhares de pessoas recorrem aos concursos
públicos. Porém, a prova do concurso consegue selecionar um profissional com todas as competências necessárias para um determinado cargo?

Na opinião dos presidentes da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos), as provas aplicadas nos concursos públicos raramente avaliam competência
e são parecidas com os vestibulares, no qual o objetivo é definir um critério de contratação que tenta ser imparcial, mas que acaba selecionando pessoas que buscam apenas o conforto da estabilidade no emprego.

“A estabilidade oferecida pelas empresas públicas é o maior atrativo para as pessoas que buscam esse caminho, ainda que isso implique abrir mão da realização profissional. Mas a verdade é que o fato de alguém ser aprovado em um concurso não garante que o escolhido seja um bom profissional ou tenha as competências para a posição. O que falta na área pública são instrumentos que separem os bons dos maus profissionais, que deveriam ser desligados, uma vez comprovada sua inabilidade. A estabilidade é sinônimo de improdutividade”, ressalta o presidente da ABRH-RS, Pedro Fagherazzi.

Quem presta concurso?

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Além disso, o presidente da ABRH-DF, Manoel de Oliveira, destaca que os concursos públicos são muito frequentados por “concurseiros”, que visam ao salário fazendo cursos preparatórios e participando de todos os concursos até passar em algum.

“Os “concurseiros” focam, apenas, no salário e na estabilidade, sem pensar na realização profissional, o que é lamentável, pois cria um grande problema para os gestores de pessoas no serviço público. Muitos garantem uma posição antes e seguem fazendo concursos na tentativa de alcançar uma vaga melhor remunerada. Esse tipo de processo seletivo não filtra os melhores candidatos, pois seleciona apenas os que estudaram mais as matérias que são solicitadas no edital”.

Planos de carreira

De acordo com a vice-presidente da ABRH-PE, Sandra Camelo, a maioria dos órgãos públicos não tem plano de cargos, carreiras e remuneração alinhado à competência das pessoas, muito menos uma gestão de Recursos Humanos estruturada.

“Por isso, nem sempre os que são selecionados no concurso público têm o melhor perfil para instituição, até porque os melhores, quando não se adaptam, fazem outros concursos e migram para outras instituições mais estruturadas”, comenta.

O que o concurso não avalia?

Para a presidente da ABRH-PR, Sônia Gurgel, o concurso público avalia apenas uma das competências necessárias a um bom profissional, que é o conhecimento, mas ignora outras ainda mais importantes, como aspectos relacionais e de liderança.

Apesar desses fatos negativos, a presidente da ABRH-ES, Ângela Abdo, afirma que há bons profissionais admitidos em concursos públicos.

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“Existem ótimos profissionais admitidos em concursos públicos, mas não acho que as formas como tais concursos são realizados selecionem os melhores”.