Como garantir uma boa aposentadoria, mesmo sem ter carteira assinada

Profissionais procuram soluções alternativas ao vínculo empregatício, como a prestação de serviços ou trabalho autônomo

SÃO PAULO – Com o aumento dos encargos trabalhistas, está cada vez mais difícil para empresa registrar um funcionário, isto sem falar que depois de descontados encargos e impostos, o salário acaba chegando no seu bolso com valor bem distante do combinado.

Do ponto de vista da empresa a situação é ainda mais grave, já que a soma de todos os encargos devidos pode aumentar a folha em mais de 50%, fazendo com que muitas empresas optem por oferecer salários mais convidativos em troca da contratação sem vínculo empregatício.

Profissionais descartam vínculo empregatício

Diante deste cenário, muitas pessoas estão optando pela prestação de serviços ou simplesmente pelo trabalho autônomo, já que o rendimento líquido acaba sendo maior. Apesar do aumento nos ganhos, o trabalho informal tem suas desvantagens já que o funcionário abre mão de algumas garantias como os depósitos provenientes do FGTS, férias remuneradas, décimo terceiro, benefícios do INSS (salário-maternidade, auxílio-doença, aposentadoria, etc) pagos ao segurados empregados, planos de saúde, décimo terceiro salário, entre outros. Algumas empresas mesmo sem registrar o funcionário pagam tanto férias quanto décimo terceiro, reduzindo portanto as perdas para o funcionário.

Além disso, a grande disparidade entre salários e benefícios pagos pelo INSS também tem motivado soluções híbridas, com funcionários recebendo parte dos rendimentos como bônus, e portanto, não registrado em carteira. Por exemplo, com o teto previdenciário em R$ 1.561,56, mesmo que o funcionário receba R$ 3.000, e a empresa contribua ao FGTS com base neste rendimento, sua aposentadoria está limitada a este valor.

Nunca é cedo demais para começar a poupar

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Deste modo, se você está trabalhando como prestador de serviço ou autônomo, deve se planejar para garantir uma renda futura que compense a falta desses benefícios, pois você não quer correr o risco de não conseguir manter seu padrão de vida ao se aposentar. Mantenha o seu orçamento sobre controle e estabeleça uma estratégia de investimento de forma a poupar, pelo menos uma pouco por mês.

Se você não é um investidor experiente, recomendamos que antes de aplicar seu dinheiro, peça a opinião do seu gerente sobre qual a melhor opção de investimento, e depois reserve cerca de 10% a 20% do seu salário para investir.

Inscreva-se na previdência social

Apesar do valor máximo da aposentadoria ser relativamente baixo, você pode complementar sua renda durante a aposentadoria inscrevendo-se no INSS como contribuinte individual (autônomos e empresários), ou facultativo (donas-de-casa, estudantes). Feito isso você passa a contribuir mensalmente, nem que seja sobre o valor mínimo, que é de R$ 200, de forma a garantir uma pensão e ter direito a todos os benefícios do INSS.

Aposentadoria privada pode ser uma boa opção

A grande vantagem da aposentadoria privada está no fato de que você se vê forçado a planejar melhor seus investimentos, além de possibilitar uma dedução do seu imposto a pagar. Por outro lado, se seus rendimentos estão abaixo do limite de isenção, então a previdência privada pode não ser a melhor opção, já por cobrarem taxas de administração mais elevadas, os fundos de previdência rendem menos que os fundos de investimento tradicionais. Caso contrário, podem ser uma boa forma de planejamento fiscal.

Lembre-se que o dinheiro que está poupando sendo destinado para sua aposentadoria, ou para um fundo emergencial, com o objetivo de cobrir seus gastos caso você fique desempregado por um tempo, decida fazer uma viagem ou então comprar um carro. Por isso, não deve ser sacado desnecessariamente.