Como funciona a vida de um mesário durante as eleições no País?

Sem disposição e bom-humor, o dia do mesário pode se transformar em uma eleição sem fim, com turnos intermináveis

SÃO PAULO – Ser mesário pode não ser tão fácil quanto parece. O voluntário comparece, com antecedência, à sua própria seção eleitoral, votando e, em seguida, sentando-se à mesa composta de quatro ou cinco pessoas previamente convocadas pelo Juiz Eleitoral.

Uma vez que o relógio mostra o horário definido, o trabalho começa. Após conferir os dados do eleitor no registro, o mesário o encaminha para a cabine de votação. Essa rotina irá durar praticamente o dia todo, e entre idas e vindas dos eleitores, o mesário poderá repetir esse processo mais de 200 vezes, dependendo da seção em que for trabalhar.

Sem disposição e bom-humor, o dia do mesário pode se transformar em uma eleição sem fim.

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Experiência
Com quatro eleições na bagagem, a analista de Recursos Humanos Carla Marques, 36, passou por todos os cargos que um voluntário pode assumir nas eleições.

Iniciou sua “carreira eleitoral” com 20 anos, sendo auxiliar na mesa. Chegou até presidência na última eleição em que trabalhou.“Foi uma experiência boa, todos os mesários viraram amigos”, afirma Carla. “As eleições foram muito tranquilas em todos os anos em que trabalhei”.

Para Carla, as atividades eleitorais naquele período representaram mais do que os dois dias de folga no emprego. “Ajudar nas eleições do País foi um orgulho para mim, senti que fazia parte da vida política do Brasil”.

De acordo com a analista, as responsabilidades aumentam em cada ano de votação. “Como mesária, fazia questão de manter ao máximo a minha discrição. Quando passei a ser presidente, minha atenção era para com a hora da abertura e fechamento da urna”.

Responsabilidades
Tão logo, iniciantes ou veteranos compartilham de um grau elevado de responsabilidade durante o período em que fazem seu trabalho. 

“Meus amigos que já trabalharam em eleições passadas me deram a dica de chegar um pouco mais cedo e começar a destacar os espaços [papéis] reservados para as assinaturas dos eleitores”, explica o estudante Rafael Gonzales, 20.

“Não quero fazer feio na minha primeira eleição”, afirma o estudante que escolheu trabalhar como mesário nas eleições de 3 de outubro.

O estudante faz parte de um grupo com mais de 300 mil pessoas que tornaram-se voluntárias nas votações. “Soube que o serviço viraria uma espécie de crédito como atividade extra-curricular na minha universidade, por isso resolvi me inscrever”. O prazo para se inscrever para mesário voluntário terminaram em 18 de junho e as inscrições foram feitas nos tribunais eleitorais de cada estado.

“Já que estou lá por conta própria, pretendo ser atencioso com os eleitores e auxiliá-los na hora da votação”, finaliza o estudante.