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Como evitar que as inseguranças e o processo de adaptação atrapalhe meu time?

Ser gestor não tira de ninguém sua condição de ser humano, portanto, sentir insegurança e medo, principalmente em fase de adaptação faz parte

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(Getty Images)
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Pergunta de leitor: “Como impedir que minha ansiedade, inseguranças e processo de adaptação impeça meu time de ir para frente?”

Resposta de Rebeca Toyama*:  

“A pergunta é bastante pertinente, principalmente, quando sabemos que um dos principais motivos de descontentamento profissional está relacionado ao gestor direto.

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Da mesma forma que um dos principais motivos para um profissional permanecer no emprego, também está relacionado ao seu gestor.

Mesmo quando existem diversos fatores de descontentamento, um bom gestor ajuda a reter talentos motivando e engajando sua equipe.

Portanto, primeira coisa que não podemos negar é a existência dessa influência, certo?

Tendo consciência da importância do papel gestor no desenvolvimento de sua equipe, o passo seguinte é olhar para essa relação com muita atenção. E a solução raramente está nos conhecimentos técnicos (hard skill), mas nos conhecimentos comportamentais (soft skill);

O fato de ternar-se gestor não tira de ninguém sua condição de ser humano, portanto, sentir ansiedade, insegurança e medo, principalmente em fase de adaptação faz parte do cenário.

E essa situação é tão recorrente que acaba sendo uma das principais queixas que escuto. E uma estratégia que tem dado muito certo, sejam com gestores em início de carreira ou gestores experientes ao assumir um novo desafio ou uma nova equipe, é trabalhar o conceito de vulnerabilidade.

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Para isso costumo recorrer às pesquisas da cientista social Brené Brown que também é professora na Universidade de Houston. Em uma de suas palestras no TED Talks, que inclusive está na lista das mais assistidas na plataforma, ela diz que a vulnerabilidade é a nossa mais precisa medida de coragem e compartilha uma percepção profunda de sua pesquisa.

Você pode estar fazendo cara de espanto, como fazem as pessoas quando as convido a se apropriar desse conceito, lembrando que não tem relação direta com pobreza ou escassez, mas sim com uma forma de nos aproximar e conectar a outras pessoas e a nós mesmos.

Porém, o caminho mais adotado por gestores na fase de adaptação é tentar esconder a ansiedade e a insegurança dando uma de “sabe-tudo”, o que geralmente é percebido pela equipe como soberba, que além de promover um abismo entre as partes, acaba impactando negativamente no crescimento da equipe e no alcance de metas e objetivos.

Por algum motivo aprendemos na infância que temos que ser fortes e mostrar ao que viemos. E acabamos não percebendo que isso afasta as pessoas. E quando isso acontece a liderança é questionada e muitas vezes ignorada.

Os bons livros sobre empatia lembram que mostrar interesse pelo outro é muito mais efetivo para criar vínculos do que se esforçar para mostrar ao outro sua superioridade.

De um lado pode afastar pessoas por elas entenderem que você não precisa de ninguém. E por outro podem, também, afastar pessoas por elas se sentirem desprestigiadas ao seu lado. É comum encontrar próximos ao líder ‘sabe-tudo’, equipes frágeis com os famosos puxa-sacos que aprendem como manipular o ego de seus gestores com elogios e aplausos frequentes.

Mas vamos recorrer a nossa sabedoria interna para lidar com esse desafio e definir uma estratégia usando nossas 4 inteligências:

Inteligência contextual (a mente): evite a soberba, faça as pessoas sentirem-se parte não apenas da execução dos planos, mas também da construção, erros e acertos. Demonstre real interesse nas contribuições de sua equipe. Costumo dizer que duas ideias medianas bem geridas, podem trazer um bom resultado.

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Inteligência emocional (o coração): acolha a sua vulnerabilidade e a de sua equipe. crie vínculos saudáveis. Deixe claro o que você espera de cada um e alinhe de forma madura o que cada um pode esperar de você. Dessa forma você mantem a equipe motivada e engajada nas metas e resultado

Inteligência espiritual (a intuição): inspire sua equipe com exemplos, exponha sempre que possível seus valores pessoais, valorize os valores pessoais de seus colaboradores. Construa em conjunto com sua equipe uma visão de mundo colaborativa pautada no propósito da empresa e na missão do departamento.

Inteligência física (corpo, tempo e espaço): identifique quais são as variáveis escassas que podem gerar estresse: como tempo, dinheiro, recursos tecnológicos e espaço físico. Seja empático com as limitações e dificuldades individuais e encontre junto com a equipe formas para que essas limitações não inibam a criatividade, capacidade de inovar e o espírito de equipe.

Mas quero oferecer 5 dicas que tem dado muito certo e trazido bons resultados:

  1. Acolha a vulnerabilidade, não perca oportunidade de pedir e oferecer ajuda
  2. Evite a soberba, compartilhe suas dúvidas e incertezas, permita que a equipe faça parte da jornada
  3. Engaje a motive, proporcione diálogos semanais com a equipe para celebrar conquistas e corrigir rotas
  4. Exercite a empatia, programe momentos one-to-one mensalmente com cada um dos membros de sua equipe
  5. Assuma seu papel de bussola e invista em seu autoconhecimento, seja um exemplo não apenas profissional, mas sim de ser humano.

Como mensagem final, aquela que você deve guardar na mente e no coração: ‘Lembre-se que é utopia querer ser um gestor perfeito. Para ser um bom líder e contribuir com o crescimento de sua equipe, você deve ser um Ser Humano inspirador’”.

Quer tirar alguma dúvida sobre carreira? Envie sua pergunta para o e-mail carreira@infomoney.com.br. A próxima resposta dos nossos especialistas pode ser a sua!

*Rebeca Toyama é especialista em estratégia de carreira e educação corporativa. Mentora e palestrante formada em administração, psicologia, marketing e tecnologia.