Como é ser consultor financeiro em meio a uma crise global?

Necessidades, sonhos e objetivos dos clientes são levados em conta na hora de montar um planejamento

SÃO PAULO – Enquanto algumas pessoas perdem muito dinheiro na Bolsa, há quem recomende cautela, paciência, foco nos objetivos.

É o caso do consultor financeiro, um profissional que não se deixa levar pelos momentos bons ou ruins do mercado financeiro ou da economia real. Comprometido, racional, calculista (mas no melhor dos sentidos). Bom, pelo menos essas são as características que todo consultor deveria ter. Mexer com o dinheiro dos outros exige frieza, inteligência, equilíbrio, e muita, muita responsabilidade!

Um trabalho desafiante!

O economista e professor de Finanças da FIA/USP (Fundação Instituto de Administração), Caio Torralvo, é um deles. Esta repórter logo foi perguntando para ele: “tem muita gente brava porque está perdendo dinheiro com ações?”. Ele garantiu que não.

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Segundo Torralvo, a pessoa só perde realmente o dinheiro investido na Bolsa se desiste das ações agora, neste momento de inegável crise. A dica é esperar. Mas o fator primordial é que, para cada cliente, o consultor monta um planejamento financeiro, que leva em conta: necessidades; sonhos e desejos; objetivos, sejam eles de curto prazo ou de longo; e restrições financeiras e psicológicas (como aversão ao risco).

Desta maneira, se alguém precisa de dinheiro no bolso daqui a um ano, o consultor dificilmente recomendará investimentos arriscados. “Eu pergunto para o cliente: o que você quer com o investimento? Ganho de curto prazo? Então levo isso em conta na hora de montar o plano”, diz o professor de Finanças. Mesmo assim, a decisão final é do cliente! “Às vezes, é difícil convencer alguém a não investir na Bolsa, quando todo mundo que está investindo está ganhando dinheiro”.

As premissas da consultoria não mudam (necessidades, desejos, objetivos e restrições), independentemente de o mercado estar caindo ou subindo.

Carreira promissora

Para Torralvo, a carreira é promissora e, ao mesmo tempo, desafiadora. O interesse pelo consultor financeiro cresce à medida que a população se educa financeiramente e passa a se preocupar mais com suas finanças e seu futuro.

“O problema é que as pessoas não sabem ao certo o que o consultor financeiro faz. Algumas não querem pagar pela consultoria, ao passo que outras acreditam que o consultor é um educador financeiro, o que seria um papel secundário. Sua função é assessorar as pessoas financeiramente. Há quem precise de um educador financeiro, e não de um consultor”, explica.

Perfil do cliente

Engana-se quem pensa que apenas pessoas das classes altas podem bancar um consultor financeiro. O economista nota uma procura maior da classe média. “Geralmente, pessoas entre 30 e 50 anos. Tenho notado também um interesse maior entre as mulheres”, conta.

Torralvo explica que, com a crise, houve uma mudança na demanda. Antes, muitas pessoas procuravam um consultor financeiro na ânsia de ficar milionárias em pouco tempo. As metas eram arrojadas, porque o cenário no mercado financeiro era mais otimista. Hoje, os clientes se mostram preocupados com eventuais perdas que tiveram. Eles estão mais cautelosos e tentando entender como funcionam os investimentos.