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Como assessor de investimentos pode usar IA para ser produtivo e mais habilidoso?

Profissional deve usar tecnologia em atividades repetitivas para ganhar tempo aprimorando a capacidade de relacionamento com o cliente, sinalizam especialistas consultados

Giovanna Sutto

Ilustração sobre Inteligência Artificial (Fonte: Pixabay/geralt)
Ilustração sobre Inteligência Artificial (Fonte: Pixabay/geralt)

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A Inteligência artificial vem sendo estruturada para ser um atalho usado por nós, humanos, em atividades repetitivas. Ao colocar, por exemplo, os afazeres mecânicos nas mãos de robôs, a perspectiva no horizonte é de aumento da produtividade — e essa é a realidade mais almejada pelo setor de assessoria de investimentos.

Mas os especialistas consultados pelo InfoMoney são unânimes sobre a importância de outras habilidades que continuarão sendo exigidas dos profissionais que atuam nesta área. Ser só produtivo, portanto, não basta. ” A capacidade de relacionamento, a comunicação, o convencimento, saber passar segurança, compreender o medo. Essas coisas o robô não vai fazer. Precisamos fechar os gaps de tecnologia através da IA”, diz Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos.

Em outras palavras, o assessor é o piloto e a inteligência artificial deve ser a “copilota” ou um suporte, complementa Rebeca Toyama, especialista em estratégia de carreira e educação corporativa. “Está correndo o risco o profissional que não souber se relacionar. A extinção já estava em curso para os profissionais muito técnicos. E a IA vai ser assertiva e rápida, otimizando processos mecanizados. Quando deixo de cuidar da parte burocrática, devo ocupar o espaço de relacionamento. Se não se propor a melhorar o contato com as pessoas, pode ficar obsoleto”, afirma a especialista.

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Marcos Oliveira, diretor para o Brasil da Palo Alto Networks, ressalta que é fundamental gerenciar as expectativas dos clientes, proteger seus dados e integrar efetivamente a tecnologia em seus processos. “Com a evolução da inteligência artificial e novas soluções tecnológicas, os assessores de investimento enfrentam desafios multifacetados. Manter-se atualizado com as tendências do mercado e tecnologias emergentes é essencial para fornecer orientação informada.”

Toyama complementa que o momento atual, de transição, gera incertezas. Mas ele deve ser entendido de uma forma mais ampla porque o que está em curso não é apenas uma mudança tecnológica. “O assessor deve ter um olhar mais holístico: o ser humano está vivendo mais, a curva de investimento do cliente mudou, a relação com o tempo e dinheiro também muda ao longo da vida. E isso impacta completamente a vida do assessor. Muitos clientes pensando menos em patrimônio e mais em experiência”, afirma.

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Habilidades esperadas

E quais são as habilidades esperadas do assessor de investimentos neste momento ímpar? Os especialistas destacam ao menos 6. Veja a seguir:

Segurança dos dados

No contexto do impacto da IA na carreira de assessor, tem um efeito colateral que merece muita atenção: a governança dos dados. Afinal, as informações financeiras exigem cautela no manejo por serem privadas.

“A infraestrutura de tecnologia e segurança da informação nos escritórios vai ser crucial para que a IA seja utilizada de maneira segura e benéfica para o negócio. E quem não trouxer a IA deve ficar de fora do mercado no futuro. Para fazer isso bem, será importante ter uma área de governança e compliance. Não dá para expor dados do cliente e quem alimenta a IA com dados é o próprio escritório, então, também conta com vieses, o que exige cautela para mitigar preconceitos de maneira geral e opiniões para ser mais imparcial”, avalia Toyama.

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Marcatti afirma que a cautela, na Veedha, parte do recorte de segurança de dados. “A IA ainda não é nossa realidade e nossos dados são supersensíveis e sigilosos, não temos informações abertas e estamos avaliando como vamos proteger isso. Talvez começar por aplicações que envolvem questões mais genéricas. Queremos desenvolver ferramentas para ajudar nosso dia a dia”, diz.

Derick Raiocovitch, da SVN Investimentos, afirma que em algumas soluções desenvolvidas pela companhia, houve um cuidado no acesso aos dados: cada assessor tem informações somente da sua carteira e não da empresa toda. “E temos políticas internas para manter a segurança. Não fazemos consultas publicas, trabalhamos em ambiente interno privado e com a IA generativa própria. A informação de um cliente no nosso banco de dados nunca é identificada pelo nome ou endereço ou telefone e sim com códigos para mitigar riscos em caso de vazamentos, por exemplo. Cada cliente tem código único”, afirma.

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Giovanna Sutto

Repórter de Finanças do InfoMoney. Escreve matérias finanças pessoais, meios de pagamentos, carreira e economia. Formada pela Cásper Líbero com pós-graduação pelo Ibmec.