Comércio: como é a carreira de quem atua na informalidade?

Média salarial menor, longas jornadas de trabalho e instabilidade fazem parte do cotidiano desses profissionais

SÃO PAULO – Para não ficar sem emprego, muitas pessoas recorrem ao trabalho informal. O
comércio, por exemplo, é um dos setores que mais contratam funcionários nessas condições. Mas como é a vida desses profissionais?

De acordo com o boletim Trabalho no Comércio, divulgado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), os trabalhadores do comércio contratados de modo irregular se submetem a salários menores e jornadas maiores do que os profissionais empregados formalmente.

Salários por regiões

Entre as regiões analisadas pela pesquisa, Recife (PE) é o local com a maior diferença de remunerações entre os profissionais contratados de maneira formal e informal. No ano passado, os R$ 2,07 pagos em média e por hora aos comerciários sem registro em carteira da capital pernambucana correspondiam a 63,3% do valor da remuneração dos trabalhadores formais (R$ 3,27).

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Por outro lado, em São Paulo, a diferença salarial por hora de trabalho, entre profissionais que atuam de maneira formal e informal é menor. A hora média de trabalho de uma pessoa na informalidade equivale a 83,5% do valor pago a um profissional com carteira assinada. Em Belo Horizonte, a diferença é um pouco menor, de 82,5%.

Horas trabalhadas

Além de ter um salário inferior, os trabalhadores informais do comércio brasileiro têm de se submeter a longas jornadas de trabalho, independentemente da região, uma vez que trabalhar aos domingos e feriados e permanecer no estabelecimento por mais tempo do que o horário contratado para conseguir vender determinado produto fazem parte da rotina desses trabalhadores.

Entre 1998 e 2008, a jornada de trabalho foi diferente entre os profissionais com carteira assinada e os informais. Para os trabalhadores assalariados com registro, o volume médio de horas trabalhadas semanais se manteve inalterado, com exceção de Belo Horizonte, que registrou redução de 4 horas, e Porto Alegre, que teve alta de 1 hora.

Já para os trabalhadores informais, houve redução na jornada de trabalho semanal em quase todas as regiões, sendo a maior em Belo Horizonte (8,9%). Nesse período, apenas Porto Alegre registrou aumento da quantidade de horas semanais trabalhadas, passando de 43 para 44.

Instabilidade

Outra característica da carreira do trabalhador do comércio informal é o alto grau de rotatividade, já que esse mecanismo é usado por muitas empresas como forma de redução de custos, porque os novos empregados recebem salários menores do que os ex-funcionários.

Dessa forma, o tempo médio de permanência desses profissionais é praticamente metade do tempo verificado no caso dos trabalhadores com carteira assinada. Além de não terem direitos trabalhistas nem previdenciários, a média de tempo no mesmo emprego dos profissionais informais não ultrapassou dois anos, entre 1998 e 2008.

Porém, ao analisar somente o ano passado, em quase todas as regiões pesquisadas o tempo médio de permanência no mesmo emprego aumentou quando comparado a 1998, exceto em Porto Alegre, que passou de 27 meses em 1998 para 25 meses no ano passado. Apesar da melhora, o tempo de permanência no emprego ainda é insuficiente para aqueles trabalhadores que sonham com a estabilidade financeira.