Começa a temporada de caça aos trainees

Ao desenvolver um bom trabalho, chance de efetivação aumenta, porque as empresas investem tempo e dinheiro nos selecionados

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SÃO PAULO – Em agosto e setembro, a maioria das empresas abre seus processos de seleção de trainees. “O período é bom para universitários procurarem uma oportunidade de trabalho”, explica o presidente do site de empregos Curriculum.com.br, Marcelo Abrileri. Ele conta que, atualmente, o site contabiliza 7 mil vagas apara estagiários e trainees.

Abrileri lembra que, se o trainee desenvolver um bom trabalho, a chance de efetivação é grande, porque as empresas investem tempo e dinheiro nos jovens selecionados.

“O trainee tem uma oportunidade muito maior do que um estagiário, pois ele será treinado pela empresa para assumir um cargo de responsabilidade. Ele também já terá definida a sua atuação dentro da área que escolheu, podendo conhecer e definir qual cargo se encaixa melhor para ele”, enfatiza a consultora de Recursos Humanos, Camila Mariano, gerente dos Serviços de Apoio à Carreira da Catho Online.

Salários

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Quanto aos ganhos de um trainee, a Pesquisa Salarial e de Benefícios da Catho Online mostra que eles têm uma média de R$ 1.756, mas podem chegar a R$ 4,5 mil. Confira na tabela elaborada com base nas médias dos salários oferecidos pelas empresas da Grande São Paulo:

ÁreaMédia salarial
AdministraçãoR$ 1.284
ComercialR$ 1.655,88
Comércio exteriorR$ 1.733
Comunicação social/ EditoraçãoR$ 1.782,25
EngenhariaR$ 2.185,50
Financeiro/ ContábilR$ 1.549,60
Hotelaria/ TurismoR$ 1.635,50
Industrial/ OperaçõesR$ 2.275,44
JurídicaR$ 1.533,67
Publicidade/ Propaganda e marketingR$ 1.632
Recursos HumanosR$ 1.562
Sistemas/ Informática/ InternetR$ 1.470,33
TelecomunicaçõesR$ 1.359,50

Fonte: Pesquisa Salarial e de Benefícios da Catho

Em geral, os programas têm duração de seis meses a dois anos e terminam com a promoção dos profissionais mais destacados para cargos de liderança. A maioria das empresas exige que o candidato esteja no final do curso universitário ou tenha até dois anos de formado. O processo seletivo é extenso e inclui provas de conhecimentos gerais e específicos, dinâmicas de grupo e entrevistas com gestores da empresa.

Os prós e os contras

O ponto alto dos programas de trainee é a troca mútua que há entre a empresa e o profissional. A primeira investe e desenvolve as pessoas. O segundo ganha conhecimento e experiência, que podem, futuramente, beneficiar a empresa. Nas palavras da sócia-diretora da consultoria Pró Recursos Humanos, Cássia Vendemiatti, “conhecimento ninguém tira”.

Ela não acredita que existam pontos fracos nesses programas, porém, o recém-formado participante precisa estar ciente de que pode não ser absorvido pela empresa. “O problema é que existem casos em que a contratante procura um perfil específico de pessoa. Somente quem se adequa mais fica”, analisa. “Muitas vezes, a empresa não contrata o trainee, mas ele costuma ser absorvido pelo mercado”, acrescenta.

Dicas

A especialista em recursos humanos já acompanhou diversos processos de desenvolvimento de trainees e conta que presenciou inúmeras vezes o caso de recém-formados que abandonaram um emprego teoricamente estável para participar de programas de trainee. “Você pode me perguntar: vale a pena? Eu digo que sempre vale”, argumenta.

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Entretanto, os salários, nesses casos, são mais baixos, o que torna essencial um planejamento financeiro.

Esses programas costumam ser realizados por multinacionais e grandes empresas, uma vez que companhias de pequeno ou médio porte não têm como arcar com os custos desse tipo de treinamento. “Quem pede muito suporte nos programas de trainee são as multinacionais. As pequenas nos procuram, mas não dispõem de paciência, tempo ou recursos financeiros para isso”, conta.

Justamente por conta do porte das empresas que oferecem esses programas e do que se aprende com o trabalho, oportunidades como essas funcionam, para recém-formados, como verdadeiras portas de entrada para o mercado de trabalho, na opinião da especialista.

Como ser selecionado

É claro que ser aprovado para participar de um programa de trainee depende do que a empresa procura. Entretanto, existem alguns traços comportamentais que fazem a diferença. “De maneira geral, as empresas procuram recém-formados com perfil mais ‘agressivo’, isto é, com garra e iniciativa, e que sabem trabalhar em equipe. E não necessariamente é preciso ter feito estágio“, garante.