Com redução no PIB, Credit Suisse projeta IPCA de 6,5% em 2011 e de 5% em 2012

Para 2013 banco espera inflação de 4,8%; inflação acima do teto da meta também é esperada para outros países

SÃO PAULO – Levando-se em consideração que as projeções de inflação assumem um baixo crescimento da atividade e estabilidade de preços das commodities em reais, o Credit Suisse projetaque o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) atingirá 6,5% em 2011, 5% em 2012 e 4,8% em 2013. “Apesar de declinante, a inflação ao consumidor tende a continuar acima do centro da meta, devido, principalmente, à elevada persistência inflacionária e ao expressivo reajuste do salário mínimo”, afirmam os analistas do banco.

Neste sentido, os especialistas chamam a atenção para o fato de que o crescimento da demanda superior à expansão da oferta doméstica foi a principal causa da alta da inflação nos últimos anos. Porém, apesar de o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2011 ser inferior às previsões de mercado formuladas no início do ano (4,5%) e à expansão de 2010, a inflação IPCA em 2011 será superior à de 2010 e ao consenso de mercado formado no início do ano (5,3%).

“A perspectiva de menor crescimento do PIB não foi acompanhada por redução das previsões de inflação. As previsões para a inflação de 2012 aumentaram apesar de as projeções de crescimento terem recuado”, dizem.

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Sendo assim, a inflação mensal durante 2012 diminuirá com a nova estrutura de ponderação: itens com inflação elevada recuaram suas participações e itens com menor alta de preços aumentaram de peso.

Inflação e setores
Segundo o banco de investimentos, a inflação IPCA de 5% em 2012 pressupõe redução da inflação de todos os componentes. Em alimentos, item de destaque, a redução da inflação assume estabilidade dos preços de commodities em reais e que a desaceleração da atividade reduzirá a inflação de alimentos fora do domicílio.

“A rápida convergência da inflação IPCA para o centro da meta em 2012 ocorrerá apenas na eventualidade de os preços de alimentos aumentarem muito pouco. Mas, um recuo expressivo da inflação de alimentos é improvável. A elevada persistência da inflação de alimentos fora do domicílio e o reajuste elevado dos salários tendem a mais que compensar o efeito da menor atividade sobre a inflação desse sub-grupo”, afirmou o banco.

Já a inflação de bens industriais recuará, em parte, devido à possível estabilidade da taxa de câmbio, recuo de preços das commodities metálicas e desaceleração da atividade.

Por sua vez, segundo o relatório de projeções do Credit Suisse, a inflação de administrados diminuirá nos próximos trimestres por conta de fatores tais como as eleições municipais, que tendem a postergar os reajustes de tarifas administradas para 2013, e estabilidade dos preços dos combustíveis.

Por fim, a inflação de serviços será menor, em parte, por conta da desaceleração da atividade, apesar de a alta persistência inflacionária e o expressivo reajuste do salário mínimo contribuírem para elevar os preços de serviços.

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Mesmo cenário
Este panorama de inflação acima do teto da meta é o mesmo previsto para outros países como os emergentes Coreia do Sul, Tailândia, Polônia, Indonésia, África do Sul, Turquia e Peru, e os desenvolvidos Suécia, Canadá, Israel, Austrália, Suíça e Islândia.