R$ 880

Com reajuste maior que esperado, salário mínimo é o maior desde a ditadura

O salário mínimo despencou no começo do governo de José Sarney, quando a economia estava em frangalhos e a hiperinflação ameaçava o bolso do brasileiro

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SÃO PAULO – A última vez que os brasileiros tiveram um salário mínimo tão alto quanto o de 2016, General Figueiredo ainda comandava o último governo militar da história do Brasil. Os R$ 880 do ano que vem representam o valor mais alto desde os R$ 870,88 de 1983, em série ajustada pelo Dieese. 

O salário mínimo despencou no começo do governo de José Sarney, quando a economia estava em frangalhos e a hiperinflação ameaçava o bolso do brasileiro. O salário mínimo de 1986 era o equivalente a R$ 795 de hoje, mas em 1987 a quantia caiu para apenas R$ 567,46.

Foram anos de queda até o Plano Real voltar a permitir uma elelação do salário mínimo, que foi acentuada no segundo governo Lula (quando o salário mínimo saltou de R$ 619 para R$ 750). O salário mínimo nos últimos 12 anos de governo petista teve aumento nominal de 340% – o que fez com que o aumento real fosse de 77%. 

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A política de valorização começou em 2004, quando as Centrais Sindicais lançaram uma campanha. Em 2007, foi acordada a criação de uma política permanente de valorização do salário mínimo até 2023, transformando essa política em um planejamento de longo prazo. O Dieese destaca que o sistema é eficiente na recuperação do valor do salário mínimo. 

É interessante notar que a fórmula de reajuste condiciona a valorização ao aumento da produtividade, já que ele não é apenas ligado aos fatores inflacionários – leva em conta o PIB de dois anos atrás também. Para 2016, era previsto um mínimo de R$ 871, em linha com o de 1983, mas Dilma optou por arredondar o valor para R$ 880 – dando 1% a mais de valorização.