Com planejamento financeiro, você pode multiplicar o seu 13º salário

Deixe de consumir um pouco agora para consumir muito no futuro; não subestime a força dos juros compostos

SÃO PAULO – O fim do ano se aproxima e, com ele, para os trabalhadores com registro em carteira, a renda-extra do 13º salário. Excluindo os endividados, aos quais a recomendação básica é utilizar o ganho para quitar débitos, o ingresso adicional de recursos usualmente significa a satisfação imediata de consumo, ou seja, as férias na praia, um som novo para o carro, um home theater etc.

Questionando a necessidade destes gastos e os reais benefícios que vão efetivamente trazer à vida das pessoas, Nilton d’Avila Farinati, consultor financeiro e membro-orientador do INI (Instituto Nacional de Investidores), defende a utilização deste salário-extra como ferramenta para mudar seu futuro financeiro.

“Se deixar de consumir algo agora e investir esse dinheiro com inteligência, você poderá consumir muito mais no futuro”, explica o especialista.

A força dos juros compostos

PUBLICIDADE

Como exemplo, Nilton apresenta o caso de uma pessoa que receba R$ 1.000,00 como 13º salário. Considerando uma rentabilidade de 12% ao ano, ou seja, menos de 1% ao mês, o investimento regular da quantia por 10 anos levará ao montante de R$ 20.000,00.

Apesar de significativa, essa conta pode não mudar o pensamento de quem “precisa” passar uma semana na praia e dispõe apenas do 13º como fonte de financiamento. No entanto, os ensinamentos de Nilton não param por aqui. Sempre pensando no logo prazo, o consultor financeiro enfatiza a força dos juros compostos.

“Em trinta anos é possível transformar os R$ 30 mil investidos em 270 mil e, em 35 anos, tempo de contribuição exigido para a aposentadoria, se transformarão em R$ 480 mil”.

Vamos melhorar ainda mais esta conta?

Lembrando que, historicamente, o mercado de ações tem proporcionado ganhos superiores aos 12% ao ano anteriormente sugeridos, Nilton d’Avila Farinati apresenta argumentos realmente capazes de postergar qualquer necessidade de satisfação imediata de consumo não imprescindível.

“Se considerarmos agora um pequeno acréscimo na rentabilidade, de 12% a.a. para 15% a.a., aqueles R$ 480 mil serão R$ 1 milhão ao final dos 35 anos de trabalho. Isso mesmo, graças a essa rentabilidade média um pouco maior você poderia ficar milionário! E nada mais justo, depois de anos de trabalho e de investimento consciente e disciplinado”.

O importante é o planejamento financeiro

Nilton ressalta, no entanto, que esta conta é simplificada, uma vez que não considera a inflação, atualmente em queda e em patamares baixos, e o fato de que usualmente o 13º tende a crescer ao longo dos anos.

Além disso, o estudo leva em conta o investimento apenas do 13º. Imagine o crescimento de suas econômicas caso, ao invés de investir apenas esse salário-extra, você realizasse aportes mensais em uma carteira de ações formada apenas por empresas de primeira linha, por exemplo.

“Mais do que os números em si, o importante é nos darmos conta da importância do planejamento financeiro pessoal, da mudança de paradigma que significa fazer os juros trabalharem a nosso favor, de buscar melhores alternativas de investimento e, principalmente, sermos mais racionais do que emocionais na hora de tomar decisões que afetam a nossa vida financeira”, conclui Nilton.