Menos gastos

Com crise, empresas desistem de fazer festas de fim de ano

Para gerente de RH, a maioria dos funcionários entende e até prefere que esse dinheiro não seja gasto

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SÃO PAULO – O Natal está chegando, mas o Papai Noel não trouxe o fim da crise de presente. E isso afetou as confraternizações de algumas empresas.

“É natural que em momentos como este as empresas deixem de gastar com esse tipo de coisa. Na minha empresa, não haverá nem festa de fim de ano nem cesta de alimentos natalinos”, diz o gerente de RH de uma grande fábrica de autopeças em Diadema, que não quis ser identificado. “Por aqui, outras empresas também desistiram das festas e houve até uma pesquisa informal entre responsáveis por Recursos Humanos para saber quais seriam as soluções buscadas neste momento de crise”, explica. 

Para ele, deixar de oferecer este tipo de “regalia” não desmotiva os funcionários, ou ao menos boa parte deles. “Demitimos mais de 400 pessoas por conta da crise, se eles vissem gastos em uma festa, poderia ser ainda pior. São medidas difíceis, mas necessárias, e eles sabem disso. É melhor manter um funcionário do que fazer uma festa – claro que a relação não é exatamente essa, mas é o que as pessoas pensam”. De acordo com Luiz Gustavo Kako, da empresa organizadora de eventos Multiart, uma empresa gasta, em média, entre R$90 e R$250 por funcionário em uma confraternização de fim de ano, dependendo do porte.

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Mas isso também não significa que as festas não tenham razão para existir: “faz bem para os funcionários, eles se sentem integrados e motivados, só não pode ser uma prioridade em um momento como esse”, explica o profissional, que já trabalha com RH há mais de 20 anos.

Depois de deixar de publicar 18 revistas impressas só em 2015 – entre vendas, descontinuidades e mudanças para versões exclusivamente on-line – a Editora Abril parece concordar que, às vezes, não há clima para comemorações. “Neste ano não haverá festa”, disse um funcionário. “No ano passado, ela já foi dentro do prédio e bem menor do que costumava ser até 2012, quando acontecia uma confraternização geral no Espaço Das Américas [em SP]. Em 2013 também não teve, depois da demissão de uma leva grande de funcionários [com o fechamento de outros títulos]”, relembra.

Mesmo assim, muitas pessoas acreditam que a imagem da empresa pode sair prejudicada com este tipo de medida. Uma professora, que também preferiu manter o anonimato, afirmou que a escola de idiomas em que trabalha desistiu das confraternizações depois de demitir 15 pessoas. “Mas ninguém quer falar sobre isso, porque é publicidade ‘negativa’”, completa. 

“Low Profile”

Uma das medidas usadas por grandes empresas que não querem decepcionar os funcionários é diminuir o perfil da comemoração. “Na Edelman a festa será muito menor do que nos outros anos. Não alugarão espaço, farão dentro da própria empresa. E o prêmio do sorteio de fim de ano, que em 2014 foi uma viagem para a Costa do Sauipe, será três dias de folga”, diz uma fonte próxima a Edelman Significa – fusão da Edelman, a maior empresa independente de Relações Públicas do mundo, com a agência brasileira Significa.

O concurso de final de ano da agência, inclusive, usou a crise como temática. Em um flyer cor-de-rosa contendo uma coxinha de óculos escuros, os dizeres são “Queremos saber! O que você faz para sair da crise?”. A festa ocorrerá nesta quinta-feira, 17 de dezembro, e os funcionários temem o “aperto” pela superlotação do espaço.

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Atualização: 

De acordo com a Edelman Significa, a decisão de fazer a festa dentro do próprio espaço de trabalho foi tomada pelos próprios funcionários. “A ideia nasceu do comitê responsável pelo planejamento e organização da festa, formado por profissionais de diversas áreas, e foi levada ao nosso Comitê Executivo. Foram discutidos prós e contras e acabaram por decidir desta forma em respeito a uma iniciativa da equipe que simboliza os cuidados com a empresa”, afirmou Luisa Lima, responsável pela comunicação da agência.