Com alta demanda por talentos, empresas trazem aposentados de volta

Em alguns casos, contratados retornaram para assumir posições estratégicas, no conselho administrativo ou no alto escalão

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SÃO PAULO – A falta de profissionais aptos a lidar com um mercado cada vez mais veloz, competitivo e exigente, com relação às competências técnicas e comportamentais, está levando as empresas a rever a relação com profissionais já aposentados, segundo pesquisa realizada pela DBM, consultoria especializada em capital humano.

Foram entrevistados, no primeiro semestre deste ano, 179 profissionais de recursos humanos, de empresas de todos os portes. Entre eles, 33 tiveram que trazer de volta profissionais aposentados, para fazer frente ao apagão de talentos com o qual lidavam.

Em cinco desses casos, os executivos contratados novamente retornaram para assumir posições estratégicas, no conselho administrativo ou no alto escalão da empresa. Nos demais casos registrados, os aposentados retornaram para posições operacionais, para as quais não se encontrava profissionais com a mesma expertise.

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“A motivação para isso é a falta de talentos – que, ao pressionar o mercado, contribui para a mudança de percepção [dos gestores de RH]”, afirma o consultor da DBM e um dos responsáveis pela análise dos dados, Pedro Frascino.

O valor da experiência

“Os números de executivos que são convidados a retornar para as empresas depois da aposentadoria ainda são modestos, mas sugerem que as empresas estão tendo que repensar suas políticas em relação aos profissionais de mais idade, por conta da necessidade crescente de profissionais que reúnam conhecimento técnico e experiência, que, em muitos segmentos de mercado, estão em falta”, explica o presidente da DBM para o Brasil e América Latina, Cláudio Garcia.

“O aquecimento econômico fez o mercado brasileiro experimentar um novo contexto e muitas organizações, como reflexo, têm agora de repensar sua relação com seus profissionais”.

Em 82 empresas, buscar profissionais aposentados para preencher vagas ainda não foi algo necessário. Mas os gestores dessas companhias consideram que a hipótese é uma solução passível de ser aplicada.

Dos 179 pesquisados, apenas 37 executivos de RH (ou 20,67% da base total) disseram que a solução não seria considerada legítima ou aplicável, por ir contra a cultura de suas empresas. Já 15,08% optaram por não responder a questão.

Aposentados que atuam de forma indireta

Segundo Frascino, é crescente o número de empresas que optam por convocar profissionais com idade mais avançada para colaborar com sua gestão, porém, de maneira indireta: atuando como consultores. “Desta maneira, os profissionais de mais idade voltam a colaborar para as companhias com suas experiências – um ativo excepcionalmente valioso no atual contexto”, diz Frascino.

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“É um fenômeno interessante e positivo. Ele possibilita aos profissionais seniores colaborar intensamente para a formação dos executivos mais novos. Mas principalmente, o aposentado colabora para que os mais novos pensem também no seu futuro e na sua aposentadoria. É algo muito bom para as empresas, de modo geral”, acrescenta.

“A perspectiva de vida vem crescendo e, por isso, é essencial que, o quanto antes, os executivos estejam preparados para se desligarem de suas companhias e investir tempo para compreender quais são os seus interesses e motivadores pessoais, bem como o que querem deixar como legado pessoal para o mundo”, completa Frascino.