Com a onda de IPOs, mercado procura executivos e auditores globais

Demanda por executivos e auditores globais está em constante crescimento. Em 2008, procura pode aumentar

SÃO PAULO – Em 2007, a Bovespa registrou 62 novos IPOs (termo em inglês para oferta pública de ações), mais que o dobro de 2006, quando ocorreram 26 IPOs. A tendência é de que o movimento continue em 2008. “Independentemente de qualquer crise, acredito que o número de IPOs no próximo ano seja superior ao registrado neste ano. Há uma série de empresas emergentes que procuram acesso mais barato a recursos e desejam melhorar o relacionamento com o mercado”, afirma o diretor de auditoria da BDO Trevisan, Henrique Campos.

Graças a esse fenômeno, a demanda por executivos está em constante crescimento. Entretanto, muitas qualificações são esperadas desses profissionais. “As empresas que estão abrindo capital vivenciam dificuldades para encontrar bons executivos”, analisa.

Segundo ele, os setores que demandam mais executivos são o imobiliário, o de agribusiness, os bancos médios e as empresas terceirizadoras de serviços.

Disputa por executivos qualificados

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“A quantidade e a qualidade de informações que uma empresa com capital aberto precisa fornecer são incomparáveis. Por isso, é vital ter lideranças bem melhor preparadas. O público que cobra o executivo de uma empresa familiar se resume a um grupo pequeno de pessoas, ao passo que, nas instituições com capital aberto, há diversos acionistas, que, muitas vezes, são pulverizados”, diz Campos.

Ele explica que esse executivo precisa ter conhecimento aprofundado de finanças, bem como dos acontecimentos ao redor do mundo, visão global, boa formação acadêmica, inglês de negócios (técnico), capacidade de liderança e, mais que isso, de mudar culturas.

“Pouco se fala da importância de mudar culturas, mas ela é fundamental. Via de regra, as empresas têm dificuldade nesse sentido. Quando a instituição abre capital, o departamento financeiro, por exemplo, precisa ser mais ágil e eficiente. Ele precisará fornecer mais informações, e com mais complexidade e agilidade que antes. Para isso, é necessário mudar a mentalidade das pessoas, que estavam acostumadas a trabalhar da mesma maneira há anos”, adverte o diretor.

Auditor global

Outra carreira com demanda em alta, por conta dos IPOs, é a de auditor global. Mas, dessa vez, as contratações não partem das instituições que abrem capital, e sim das empresas de auditoria que operam em mercados de capitais. Estamos falando de um profissional especializado em mercado internacional, que é difícil de encontrar.

Um exemplo dessa demanda é a BDO Trevisan, que contratou 200 profissionais em 2007, que se somaram aos outros 950. Houve um crescimento também no número de clientes ativos, que hoje totalizam 900, de acordo com a assessoria de imprensa da instituição. “As empresas de auditoria estão precisando desesperadamente de auditores globais”, afirma o diretor de auditoria da BDO Trevisan.

Sem formação

Extremamente necessário, o auditor global brasileiro não está totalmente preparado para atender ao mercado global. A adequação às normas contábeis internacionais, à Lei Sabanes-Oxley e à legislação tributária internacional, por exemplo, requer conhecimentos específicos, que ainda não são ensinados nas faculdades de contabilidade.

O auditor acaba sendo formado dentro das empresas. Por enquanto, aquelas com grande porte estão conseguindo dar conta. Porém, a IFAC (International Federation of Accounting) aprovou a publicação de um manual de aplicação de padrões internacionais de auditoria para pequenas e médias empresas, com o intuito de orientá-las, para que atuem de acordo com as normas. Com isso, existe a chance de a formação do auditor global ser favorecida.