Cinema: por trás do glamour e dentro dos <i>sets</i> de filmagens

Trabalhar com cinema requer criatividade e muita dedicação; no Brasil, oito faculdades oferecem cursos na área

SÃO PAULO – Cinema e glamour são duas coisas quase indissociáveis no imaginário popular. Filmes geralmente fazem os espectadores se lembrarem das grandes estrelas, do luxo de Hollywood ou dos salários milionários pagos a astros internacionais. Apesar de não custar nada aliviar a vida com ilusões como estas, se a idéia for trabalhar de verdade com cinema, o melhor é se esquecer dos tapetes vermelhos e encarar as dificuldades do ramo.

Embora não seja exigido um diploma universitário para se atuar como profissional de cinema, o ensino superior muitas vezes é o melhor caminho em direção aos sets de filmagem. E desde a retomada da produção cinematográfica brasileira, em meados da década de 90, milhares de jovens tentam a cada ano ingressar nas faculdades que oferecem cursos de cinema ou similares.

Atributos como criatividade, sensibilidade e intuição são pré-requisitos para quem quer se dar bem na área cinematográfica, mas não se pode menosprezar as contribuições da formação acadêmica, entre elas o embasamento teórico, a prática monitorada de diversas técnicas do ramo, sem falar no diferencial que o diploma pode representar no dia-a-dia de concorrência no mercado.

Para começar

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A maior parte das faculdades proporciona aos alunos formação diversificada, apresentando grade curricular com disciplinas teóricas, como história do cinema e teoria da comunicação, mas não se esquecendo da parte prática, com matérias específicas sobre cada etapa da produção audiovisual, entre elas, direção, fotografia e montagem, por exemplo.

A participação dos universitários em exercícios de filmagens também é freqüente nos semestres finais dos cursos, e, em alguns casos, há até mesmo a produção de curtas-metragens realizados pelos próprios alunos.

Onde trabalhar?

A instituição das leis de incentivo cultural, como a Lei do Audiovisual e a Lei Rouanet, que permitem abatimentos tributários para financiamento de filmes, aqueceu o mercado cinematográfico nos últimos anos, promovendo um verdadeiro renascimento do setor e possibilitando que dezenas de produções cheguem às salas de cinema a cada ano.

Mas vale alertar que trabalhar com cinema não significa necessariamente ser um Walter Salles ou um Fernando Meirelles. Os filmes não se fazem só por grandes diretores; na verdade, são produtos de um complexo trabalho de equipe. Poucas são as pessoas que um dia chegam à cadeira de diretor, mas muitos são os profissionais que estão ao seu redor. E isso não é uma má notícia, pois mostra que as vagas de trabalho são mais numerosas do que costumam sugerir os sonhos de quem quer fazer cinema.

Para que um filme chegue às telas, é fundamental o trabalho de produtores, diretores de fotografia, diretores de arte, técnicos de som, microfonistas, assistentes de câmera, eletricistas, maquiadores, cenotécnicos, continuistas, e uma série de outros funcionários. Uma grande produção brasileira costuma empregar mais de 100 pessoas, sem contar o elenco.

Além dos sets de filmagem

Quem planeja cursar cinema na faculdade deve saber que o mercado de trabalho vai além das produções cinematográficas. Embora a grande maioria dos cineastas em potencial sonhe exercer suas atividades em um set de filmagens, existem outras possíveis áreas de atuação, como a TV, a publicidade e a gravação de vídeos institucionais, por exemplo.

No caso da TV, o mercado tem se apresentado cada vez mais democratizado e aberto a novos profissionais, em função do crescimento dos canais por assinatura e da conseqüente demanda por trabalho de produtoras independentes. A produção de filmes publicitários, por sua vez, atrai inúmeros profissionais por oferecer a melhor remuneração do mercado e por utilizar, quase sempre, equipamentos e técnicas idênticas às do cinema.

Independente da área de atuação, os universitários ou interessados em participar da indústria do audiovisual precisam se conscientizar de que estão ingressando em um campo no qual o ritmo de trabalho é irregular, a estabilidade profissional muitas vezes é frágil e a remuneração, incerta. Para quem ama cinema, contudo, isso não parece ser problema.