Chefe ciumento: consultores alertam para atitude em que todos perdem

Há gerentes que privam a equipe de informações estratégicas, passando apenas tarefas operacionais

SÃO PAULO – Quem nunca teve um chefe inseguro, que promovia boicotes, muitas vezes sem perceber e sem querer, por medo de que alguém da equipe tomasse seu lugar, possivelmente ainda terá. O boicote, intencional ou não, acontece até com certa freqüência, segundo a consultora de Planejamento de Carreira da Manager, Rachel Vieira.

O consultor do IDORT, Edson Herrero, concorda. “É comum, mas está na contramão do que se pratica e do que se orienta praticar em gestão de pessoas“, garante ele.

Todos perdem

Os especialistas garantem que com o chefe ciumento todos perdem. “Considero que há duas categorias de gestores: aqueles que agem de maneira intencional e estratégica no boicote e aqueles que não desenvolveram ainda as mais contemporâneas habilidades necessárias à gestão de pessoas”, avalia Herrero.

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“Tanto em uma categoria como noutra esses chefes desencadeiam insatisfação, desmotivação e competição desmedida – nada cooperativa, nada contributiva – dentro das equipes de trabalho”, complementa.

Já a consultora da Manager explica que o líder perde porque não consegue manter sua equipe e, como conseqüência, faltam resultados. O empregado não fica para trás: ele perde uma oportunidade de se desenvolver e acaba ficando instável em suas atuações. Já a empresa fracassa porque não consegue atingir os objetivos propostos.

O que motiva esse tipo de chefe

Segundo Rachel, às vezes, é o gênio do profissional que não bate com o do chefe. Ele pode achar que seu chefe é incapaz, incompetente, déspota e desatualizado. “Essa opinião pessoal do chefe, mesmo que seja correta, só vai causar transtornos à carreira do profissional”, aconselha.

Pare e pense: nenhuma carreira ganha velocidade quando trafega na contramão. Chefes tendem a apoiar os subordinados que mostram respeito, agilidade e fidelidade.

“Só quem conhece bem as próprias necessidades e potencialidades consegue desenvolver bem seus parceiros sem temê-los. A pior coisa que pode acontecer para a carreira de alguém é um chefe mal intencionado ou que apresenta resistência contra o subordinado”, acrescenta a consultora.

O chefe que oculta informações

Muitos gerentes ciumentos privam sua equipe de informações estratégicas, passando apenas tarefas operacionais, justamente por temer que um profissional se destaque ao mostrar talento e esforço. “A falta de informação é uma das principais causas da alta rotatividade. O funcionário que recebe informações se sente motivado a participar do crescimento e da consolidação do negócio. Além disso, se sente valorizado, e fica mais comprometido com o trabalho e com os resultados”, afirma Rachel.

Para o consultor do IDORT, a falta de informações ainda por cima gera a fragmentação da equipe, criando ilhas, e não times. O problema é que, no longo prazo, “nenhuma organização sobrevive a isso”.

Recomendação ao líder

“O líder deve saber recrutar pessoas que sejam fortes naquilo em que ele é fraco. Uma grande equipe deve ser um grupo diversificado, que ofereça uma variedade de dons e habilidades. O profissional que é seguro o suficiente para ouvir e implementar idéias que chegam de seus subordinados não os priva de informações importantes, que possam levar ao crescimento mútuo”, lembra Rachel.

Como lidar com o chefe ciumento

A boa notícia é que, segundo a consultora da Manager, a rivalidade não é algo ruim. “O segredo é a forma de lidar com isso”. O primeiro passo é incentivar o gestor a reconhecer que seus atos e pensamentos são influentes no ambiente de trabalho.

“Mas isso deve ser feito em uma conversa séria, cara a cara, sem levantar a voz e sem fazer ameaças, apenas mostrando personalidade e respeito. Conversas assim sempre trazem resultados concretos. Saber ser político é vital para a carreira e uma das formas de viabilizar isso é fazendo elogios”, aconselha.

Cabe ainda dar a impressão ao chefe de que o departamento que ele comanda é o mais importante da empresa. “Normalmente eles se identificam mais com o seu grupo imediato do que com a organização como um todo. Acham que são responsáveis por tudo o que acontece, portanto se sentirão direta ou indiretamente responsáveis. Agradeça regularmente pelo apoio e jamais discuta com ele”.

Já na opinião do consultor do IDORT a melhor forma de lidar com isso é negociando feedbacks com base na relação de confiança, transparência e ética. “Colaboradores também são agentes de educação e transformação”.

Marketing pessoal

A especialista ainda afirma que é preciso trabalhar o marketing pessoal. “Não adianta só ficar esperando que notem o que se está fazendo e que divulguem suas qualidades. Um profissional não deve perder a oportunidade de aparecer. Mas, para aparecer é preciso realizar. Sempre que possível, fale de sua disposição para encarar os riscos de novas experiências e troque idéias sobre o futuro de sua carreira, buscando na experiência do chefe o ponto de partida para esse relacionamento”.

Quando é melhor buscar outro emprego

“Em qualquer situação, no entanto, mesmo naquelas em que o mercado de trabalho esteja enxuto, ninguém é obrigado a suportar um ambiente com o qual não se identifica e que não concorda”, opina Rachel. “A partir do momento em que o profissional se enxerga em tal situação, o melhor é conversar sobre perspectivas, ou então partir para outro emprego. Mudar de emprego é uma decisão que não pode limitar-se a um problema de relacionamento, mas de satisfação com o trabalho e com as oportunidades de crescimento”.

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