CFOs no divã: como lidar com a pressão e o estresse frente à crise?

Com todos os produtos criados pelo mercado financeiro, pode-se afirmar que a carreira ficou ainda mais... Arriscada

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SÃO PAULO – A carreira do CFO (chief financial officer, na sigla em inglês, o diretor financeiro) já é naturalmente estressante. Tomar decisões que envolvem o dinheiro da empresa não é fácil, muito menos quando há muito dinheiro em jogo. E com todos os produtos criados pelo mercado financeiro, pode-se afirmar que a carreira ficou ainda mais… Arriscada.

Para piorar, surge uma crise em escala global. E a pressão por resultados aumenta. Como lidar com tanto problema? O coach e autor do livro “Executivo, o super-homem solitário”, Emerson Ciociorowski, explica: se você não tem controle sobre a economia mundial, a rentabilidade das ações, o comportamento do consumidor ou as decisões do governo, ao menos tenha controle sobre sua vida!

A questão do controle

“Se não controla a situação, se controle. Tenha uma válvula de escape. Por exemplo, pratique um esporte. Além disso, fale com as pessoas sobre assuntos que não envolvem a atual crise. O motivo é simples: quando você abre os jornais, liga a televisão ou escuta o rádio, o que encontra? Crise. A impressão é de que se está preso em uma caixinha”, afirma Ciociorowski.

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A coordenadora do MBA em Gestão de Pessoas da Trevisan Escola de Negócios, Lilian Graziano, concorda. “Realmente, neste período, quem lida com finanças se sentirá mais sobrecarregado, mas o estresse só dificulta a tomada das decisões mais acertadas. A válvula de escape é importante nessas horas. Cada um tem seu jeito de aliviar o estresse. Pode ser jogando tênis ou ouvindo música”, diz ela.

Assuma a responsabilidade

Mas não se deve entender por válvula de escape o ato de fumar, beber, discutir com a família ou passar noites em claro. Quem deseja crescer na carreira não se descuida da saúde física e mental. “Há quem fique até tarde no trabalho e, como conseqüência, não come nem dorme direito. Isso cria um círculo vicioso. Cada vez mais a capacidade de análise fica comprometida e são tomadas decisões erradas”, diz Lilian.

O coach lembra que “o número de pessoas vulneráveis à depressão aumenta a cada dia”. “O profissional precisa assumir a responsabilidade por todo esse processo para evitar problema desse tipo”, diz ele.

O primeiro passo para assumir a responsabilidade é desenvolver uma consciência de qual é seu papel na empresa e do que precisa ser feito. O segundo é cultivar uma visão mais ampla sobre cada situação, de maneira a facilitar o encontro de soluções inusitadas. Lilian garante que saber como lidar com o estresse e a pressão é importante não apenas para se preservar, mas também para ter sucesso na carreira. “Com isso, a própria performance é potencializada e são tomadas as decisões corretas”.