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CFA fora do “Rio-SP”: 4 histórias de quem virou noites pelo certificado mesmo longe dos centros financeiros

Certificado mais importante do mercado atrai profissionais de todas as regiões do Brasil, mesmo fora dos grandes centros financeiros

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SÃO PAULO – Rio de Janeiro e São Paulo contêm os centros mais competitivos no Brasil para o profissional do mercado financeiro. Nestes ambientes, o máximo esforço é pouco para garantir destaque entre os inúmeros profissionais na corrida pelas melhores vagas nas mais prestigiosas empresas.

Mas fora destes grandes centros também há profissionais que não querem ficar para trás. Mesmo com a menor concorrência no mercado de trabalho, cidades menores no Brasil abrigam alguns profissionais que viraram noites estudando para obter o CFA, certificado “padrão-ouro” do mercado financeiro, extremamente cobiçado e bem quisto dentro de um mercado tão competitivo mundialmente.

Em entrevista recente ao InfoMoney, Mauro Miranda, presidente da CFA Society Brasil, ofereceu um panorama do nível de dificuldade imposto pela prova que leva à certificação. “Eu chegava em casa 23h30 e estudava para o CFA até a 1h [da manhã]. Era o horário que eu tinha. Esforços têm que ser feitos”, contou. Mas isso não desanima aqueles que, mesmo fora do eixo Rio-SP, querem ostentar a certificação.

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Nascido em Feira de Santana (BA), José Henrique Lacerda é um dos brasileiros que apostam no prestígio e reconhecimento do CFA em sua área de atuação, mesmo hoje trabalhando em Salvador.

“Quem me incentivou a fazer as provas foi a dona da escola onde eu dou aula”, conta José Henrique. “Como não sabia inglês, estudei com o Google Tradutor. Quando estudei para a primeira prova, consultava muita coisa no Google para entender, mas depois fui me acostumando com o estilo da linguagem e memorizando o vocabulário”, detalha ele, que teve esse desafio extra com relação aos demais participantes, já que a prova é exclusivamente em inglês.

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Ele admite que o exame não é tão popular na região Nordeste, mas acredita que o motivo é também social, relacionado à “concentração de riqueza e ao público ao qual se destina”. Ele lembra que “não existem fundos de investimento aqui, todos estão sediados no Rio de Janeiro e em São Paulo”. Até mesmo os nordestinos que conhece e obtiveram a certificação foram trabalhar no sudeste “Lembro que quando eu fiz o CGA, eu era o único candidato fora do eixo Rio-São Paulo”, descreve.

Mesmo com essa concentração, ele observa recentemente uma movimentação maior em busca da certificação por motivos mais pessoais que profissionais. “Eu vejo que já existe um movimento de as pessoas buscarem a certificação por aprimoramento, afinidade e enriquecimento, e não necessariamente para o mercado de trabalho”, opina.

O goiano José Gontijo, por exemplo, começou o processo de obtenção do certificado antes mesmo de iniciar na área financeira – mas acabou tendo uma grata surpresa nesta área. “Eu não tinha nenhuma experiência profissional, mas porque meu atual chefe soube que tinha as duas primeiras etapas da prova, eu fui contratado”, conta ele, que morou um tempo em Xangai logo após completar a graduação em Relações Internacionais em Goiânia.

Na empresa onde trabalha, José é um dos dois funcionários detentores da certificação CFA. “Goiânia não é um polo corporativo, as empresas não têm sede aqui, mas eu pretendo adquirir os anos de experiência necessários para conquistar a certificação.”

Ao contrário, Alexandre Peteffi, de Novo Hamburgo (RS), deixou a empresa do mercado financeiro onde trabalhava e foi trabalhar em indústria antes de obter o certificado. “Meu objetivo era ter um certificado que tivesse relevância internacional e reconhecimento que fosse além do que as universidades oferecem em um curso local. Deu bastante trabalho me preparar para as provas, mas acabou me dando uma segurança, já que eu acreditava que se precisasse voltar para o mercado financeiro, seria mais fácil conseguir uma recolocação com a certificação”, explica.

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Em Belo Horizonte, o empreendedor Ricardo Couto comprova que, mesmo fora dos grandes eixos financeiros, a certificação de reconhecimento internacional faz toda a diferença. “[Dentro da minha empresa] ter a certificação não é essencial para contratações hoje em dia, mas, sem dúvidas, será um pré-requisito para algumas vagas daqui a pouco”, conta ele.

Para Ricardo, a maior motivação pessoal para fazer as provas do CFA foi um fato dolorido quando morou na Inglaterra por alguns anos. “Lembro de quando comecei a fazer entrevistas de emprego e um dos recrutadores me disse que meu diploma de engenheiro não valia nada na Inglaterra. A partir dali, eu passei a querer um título que me apresentasse ao mundo e pelo qual eu pudesse ser reconhecido”, relembra.

O que é o CFA e como obter

O CFA chegou ao Brasil no final da década de 1990, com o diferencial do padrão internacional. No mundo inteiro, a prova tem o mesmo padrão, e a aplicação ocorre praticamente de maneira concomitante em diversos países. Em outras palavras: o profissional certificado do Brasil comprovadamente está em pé de igualdade com o de qualquer lugar do mundo.

As provas do CFA, três no total, são extremamente exigentes – tanto que a taxa final de aprovação não chega a 10%. Para obter o CFA, o interessado deverá ser aprovado nos níveis I, II e III, ambos em inglês.

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No Nível I, o candidato faz uma prova de múltipla escolha com 250 questões, para serem respondidas em seis horas, no máximo. No teste de Nível II, composto de “cases” a serem resolvidos, são 120 questões divididas nos períodos da manhã e tarde de um dia. Por fim, o teste de Nível III é mesclado, contendo questões de múltipla escolha e dissertativas, também com seis horas de duração.

Já o conteúdo é mesclado. Há questões de matemática financeira, estatística, teoria do portfólio, entre outros. Os temas abrangem desde investimento em imóveis até derivativos de moeda.

Para cada prova, é recomendável cerca de 300 horas de estudo, ou seja, de cinco a seis meses para quem está trabalhando. Além de ser aprovado nas três provas, o candidato precisa ter pelo menos quatro anos de experiência no mercado financeiro para, de fato, ser reconhecido como um profissional certificado.