Cesta básica: alta nos combustíveis e clima determinam aumento

Para fugir dos altos preços, os consumidores devem comprar os produtos que estiverem na safra do mês

SÃO PAULO – A cesta básica encerrou o primeiro semestre em alta em 15 das 17 capitais analisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Econômicos). O levantamento ainda apontou que, com um salário mínimo (R$ 545), os brasileiros não conseguiriam arcar com suas despesas básicas em junho. Para isso, seria necessário um salário de R$ 2.297,51.

Cenário
De acordo com a assessora econômica da Fecomercio-SP (Federação do Comércio do estado de São Paulo), Julia Ximenes, as condições climáticas do País tiveram grande influência na alta da cesta básica no início do ano, principalmente nos preços de legumes e verduras. “No primeiro trimestre, a situação era bastante complicada, principalmente para os alimentos in natura, pois as chuvas fizeram com que a produção tivesse uma qualidade inferior, e por conta das perdas, o consumidor acabou pagando mais pelos alimentos”, explica.

Passado o primeiro trimestre, a assessora comenta que as chuvas diminuíram, mas, mesmo assim, todos os produtos que foram perdidos seriam difíceis de recuperar rapidamente. Por isso, a alta nos preços, percebida bastante em produtos cítricos.

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Outro vilão do segundo trimestre foi a alta dos combustíveis. “Mesmo que indiretamente, os combustíveis influenciam no valor final da cesta básica, pois praticamente todo transporte dos alimentos no Brasil é feito por rodovias”, completa.

Já no mês de junho, “com a normalização da safra de açúcar, os combustíveis começaram a voltar aos patamares normais”, comenta Julia.

Projeções
Para Julia, o período atual é de seca em algumas regiões e geada em outras. “Na mesa, o consumidor pode sentir no preço do milho e da soja, além das carnes, pois ambos são usados para a alimentação animal”, analisa.

Se comparado ao mês de maio, o tomate teve aumento de 8,68% no mês de junho, e pelo que adianta a assessora, pode se manter em alta. “Toda vez que há excesso de umidade ou de seca, é muito ruim para os produtos in natura, o tomate sofre, por ser muito sensível. De julho a setembro o período será bem complicado para comprar esses produtos”, completa.

No caso das proteínas animais (carnes), o consumidor sente menos, pois, por mais que no frio exista a entressafra, “o Brasil ainda sofre muito para exportar carne”. “O sistema de vigilância sanitária de fora ainda é muito rigoroso, com isso, sobra carne e os preços tendem a subir pouco”, comenta Julia.

Já o leite e seus derivados começam aumentar, sendo que em junho houve aumento de 1,67%, em relação a maio. “Como a produção de leite é praticamente toda para consumo interno, a entressafra e o período de estiagem podem fazer com que o consumidor perceba algum aumento nos próximos três meses”, afirma a assessora.

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De acordo com o professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, o cenário é preocupante e, nos últimos três meses de 2011, o preço da cesta básica tende a subir ainda mais. “O principal aumento pode ocorrer no último trimestre, mas ainda não é possível estimar em quanto, pois a variação depende do clima, do câmbio e também do salário das famílias”, completa.

Na mesa
De acordo com Julia, o aumento dos combustíveis e as condições climáticas foram determinantes para o aumento da cesta básica, por isso, a escolha do produto pode influenciar no bolso do consumidor. “Escolher os produtos que estão na safra daquele mês pode ajudar a economizar”, aconselha.

O que comprar em julho
Frutasatemoia, carambola, kiwi, laranja lima e lima da pérsia
Legumes e tubérculosabóbora (todas as espécies, exceto moranga), batata doce, cará, ervilha, inhame, mandioca e mandioquinha

Para setembro, quando o clima começa a mudar novamente com a chegada da primavera, Julia aconselha que o consumidor evite comprar abacaxi, ameixa, banana, maçã e caqui.