CEOs não temem mudanças, mas admitem falta de preparo para gerenciá-las

No geral, 83% dos CEOs esperam mudanças importantes no futuro, e 68% dos executivos brasileiros também têm essa crença

SÃO PAULO – Os CEOs estão falando do surgimento de duas categorias de clientes, que são os principais responsáveis pelas mudanças enfrentadas no mercado: os famintos por informação e os preocupados com a sociedade. Eles admitem, entretanto, que suas habilidades para a gestão efetiva das mudanças estão deixando a desejar.

De acordo com o Estudo Global da IBM, o maior estudo já realizado com altos executivos, há um gap coletivo de 22% entre a capacidade das empresas de gerenciar mudanças e suas expectativas quanto ao nível de mudança que precisarão administrar. Já na visão dos executivos latino-americanos, sua habilidade em lidar com as mudanças é apenas 5% inferior à necessidade futura.

Mudar é bom

Mesmo assim, as mudanças e as novas demandas não são vistas como algo ruim. A pesquisa notou um nível surpreendente de otimismo dos CEOs, quando eles disseram que as mudanças eram oportunidades para obter vantagem competitiva.

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No geral, 83% dos CEOs entrevistados esperam mudanças substanciais no futuro – 68% dos executivos brasileiros compartilham essa expectativa -, um crescimento de 28% em relação à pesquisa anterior, realizada em 2006.

“A empresa do futuro aceita a mudança como uma condição permanente de uma organização. Os CEOs que demonstram a capacidade de gerenciar grandes mudanças sabem que podem bater a concorrência, atingindo novos grupos de clientes e transformando seu plano de negócio em torno dos princípios da integração global,” afirma o diretor da IBM Global Business Services no Brasil, Ricardo Gomez.

“E está claro que as empresas com melhor desempenho estão se distanciando dos concorrentes, devido a sua capacidade organizacional de aproveitar as mudanças”.

Os novos players

Os famintos por informação desejam todos os tipos de informações e, freqüentemente, transmitem seus pontos de vista e expectativas mundialmente via internet. Estes clientes não cumprem mais papéis passivos, uma vez que estão se envolvendo de forma cada vez mais intensa com as organizações e outros grupos de clientes, demandando flexibilidade e capacidade de resposta rápida das empresas com as quais escolhem fazer negócios.

Embora estes clientes pressionem mais, a maioria dos executivos não os vêem como uma ameaça, mas como uma oportunidade para a diferenciação e captação de novas oportunidades de mercado. Em linha com o resto do mundo, os CEOs brasileiros planejam um aumento de 23% nos investimentos nos próximos três anos, para atender a clientes como esses, mais sofisticados e demandantes.

O investimento nesse tipo de cliente é ainda mais intenso entre as organizações que apresentam melhor desempenho financeiro mundialmente. Os CEOs de empresas com altas taxas de crescimento nas margens de lucro indicam aumento de 36% nos investimentos focados nos famintos por informação nos próximos três anos.

Os investimentos têm como objetivo a melhoria de novas competências operacionais que melhorem a colaboração e a inovação nos produtos, mais orientados à transparência e adaptados a segmentos de mercado específicos.

A ascensão dos preocupados com a sociedade

Os CEOs concordam que as expectativas dos clientes com responsabilidade social corporativa estão crescendo e que a responsabilidade social desempenhará um papel importante nos diferenciais competitivos da empresa do futuro. Os clientes estão se unindo a organizações socialmente responsáveis e demandando cada vez mais produtos e serviços com este perfil.

Somente agora, a temática “responsabilidade social corporativa” está se transformando em ações concretas, segundo os executivos. Para entender e atingir esse novo cliente, os entrevistados planejam aumentar seus investimentos na ordem de 25% nos próximos três anos, sendo este o maior aumento percentual de investimentos dentre todas as tendências identificadas no estudo.

Porém, na América Latina, esta tendência não se mostra tão forte, já que os executivos da região esperam ampliar apenas 3% seus investimentos em iniciativas relacionadas à sustentabilidade dos negócios.

Os CEOs também revelam que a reputação de suas iniciativas de CSR é uma importante ferramenta para atrair e reter funcionários. O estudo mostra ainda que, enquanto o interesse dos executivos por questões ambientais dobrou nos últimos quatro anos, em escala global, esta preocupação não está bem distribuída por todo o mundo. Os CEOs da Ásia Pacífico e da Europa lideram o foco nas questões ambientais, seguidos pelos executivos das Américas.

Como acompanhar as mudanças

A maioria (86%) dos executivos entrevistados em todo o mundo planeja mudanças radicais em seu mix de competências, conhecimentos e recursos, sendo que, no Brasil, 78% dos líderes consultados demonstram esta mesma preocupação.

Adicionalmente, para aproveitar as oportunidades de integração global, mundialmente, 75% dos CEOs pretendem entrar ativamente em novos mercados e 85% pretendem atuar extensivamente com parcerias para capitalizar oportunidades globais. No Brasil, 59% dos executivos planejam explorar novos mercados e 86% afirmam sua intenção em atuar mais com parceiros externos.

O estudo

O Estudo Global com CEOs, da IBM, intitulado “A Empresa do Futuro”, é baseado em entrevistas presenciais com 1.130 CEOs de 40 países e 32 setores da economia, e desenhado para capturar insights sobre como os desafios enfrentados atualmente pelos CEOs impactarão o futuro dos negócios. Ele foi desenvolvido pela área de Consultoria da IBM em parceria com a Unidade de Inteligência do Economist.

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As conclusões deste relatório são baseadas em entrevistas realizadas entre o final de 2007 e início de 2008. Os participantes representam organizações tanto do setor público quanto do privado. Dezenove por cento são empresas que empregam mais de 50 mil funcionários, enquanto 22% possuem menos de mil empregados.

A pesquisa é realizada a cada dois anos e fornece um benchmark das tendências de negócios globais.