Revolução no mercado

CEO estabelece salário anual mínimo de R$ 215 mil para todos os funcionários

Os Estados Unidos têm uma das maiores disparidades salariais do mundo, com diferenças em torno de 300 vezes

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SÃO PAULO – O que você faria se o seu chefe decidisse aumentar o salário mínimo pago pela empresa para mais de R$ 17 mil por mês?

Os funcionários da Gravity Payments ficaram um pouco atônitos quando o CEO Dan Price anunciou, na última segunda-feira (13), que iria aumentar o salário médio anual da empresa de US$ 48 mil para um mínimo de US$ 70 mil (R$ 147 mil e R$ 215 mil, de acordo com a cotação do Banco Central do Brasil do dia 14 de abril de 2015). Isso equivaleria a um salário mensal de R$ 17.916.

Segundo informações do jornal The New York Times, a ideia surgiu quando Price leu um artigo dos ganhadores do Prêmio Nobel de psicologia, Angus Deaton e Daniel Kahneman, que relacionava bem-estar, felicidade e renda. O texto, então, demonstrava que quem recebia abaixo de US$ 70 mil por ano era infeliz.  

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Por isso ele resolveu surpreender a sua equipe de 120 pessoas. Ao todo, os salários de cerca de 70 funcionários ligados às áreas de vendas e atendimento ao cliente, irão aumentar, afirmou o porta-voz da empresa Ryan Pirkle.

A pequena empresa de processamento de pagamentos de Price tem uma postura incomum em relação ao mercado de trabalho norte-americano. Os Estados Unidos têm uma das maiores disparidades salariais do mundo, com altos executivos ganhando cerca de 300 vezes mais do que o trabalhador médio, de acordo com estimativas de alguns economistas. 

“A diferença de mercado para um CEO em comparação com uma pessoa normal é ridícula”, afirma Price.

E não é preciso ser nenhum pesquisador de Princeton ou Harvard para saber que os funcionários estão mais felizes. “Meu queixo simplesmente caiu. Isso vai fazer diferença para todos ao meu redor”, afirmou o colaborador da equipe de relações comerciais da empresa, Phillip Akhavan, que até então recebia US$ 43 mil por ano.