Censo de Educação Superior aponta criação de 4 novos cursos por dia em 2002

Entre os anos de 1998 e 2002 foram abertos, em média, 1.490 cursos por ano, 124 ao mês e quatro a cada dia

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SÃO PAULO – O Ministério de Educação divulgou, na última semana, o Censo Educação Superior 2002, em que revelou um forte aumento nos cursos de ensino superior em 2001. Desde 1998, o crescimento do número de cursos de graduação é de 107%, ao passo que subiu de 6.950 cursos para 14.399. Nesse período, foram abertos, em média, 1.490 cursos por ano, 124 ao mês e quatro a cada dia.

Vale dizer que o crescimento verificado se refere principalmente às universidades particulares. Para se ter uma idéia, há cinco anos, em 1998, os cursos oferecidos chegavam a 3.980, sendo que no ano passado subiu para 9.147.

Para o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Araújo, os dados apurados pelo Censo não são nada bons. Ele criticou o crescimento “descontrolado” dos cursos de ensino superior, justificando que um crescimento desordenado do setor tende a refletir na queda da qualidade de ensino.

Cai relação candidato-vaga; cresce matrículas

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Como resultado imediato ao crescimento do leque de opções de cursos nas universidades, a relação candidato-vaga nos cursos privados reduziu de forma significativa, enquanto o número de alunos matriculados subiu 645 em cinco anos, uma média anual de 13% aproximadamente.

Se em 1988 a relação era de 2,2, no ano passado caiu para 1,6. Nas instituições públicas a situação é inversa. A relação candidato-vaga vem crescendo desde 1990, sendo que em 2002 chegou a 8,9 em média.

A tendência, no entanto, é de que esta expansão toda diminua nos próximos anos. A média de vagas ociosas nas universidades já chega a 37%, o que sugere que se chegou a um ponto em que a oferta de vagas é maior que a procura, conforme disse o diretor da CM Consultoria Educacional, Ryon Braga.

Entre as maiores universidades, apenas uma é pública

No que se refere à participação das instituições particulares de ensino superior no mercado, o estudo aponta uma representatividade de 75,1% em 1991, há mais de dez anos. Já em 2000, este percentual subiu para 85,1% e atualmente se encontra em 88,1%.

Considerando as cinco maiores instituições do país em números de alunos, quatro são privadas, sendo que a Unip (Universidade Paulista) aparece como a primeira no ranking, com 88 mil alunos.