Casais se preocupam mais com carreira e adiam chegada de filhos

Em 2007, casais em que ambos os cônjuges tinham rendimentos e nos quais as mulheres não tiveram filhos somaram 1,9 mi

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SÃO PAULO – Estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado nesta quarta-feira (24) revelou que as famílias compostas por casais sem filhos, nos quais ambos os integrantes trabalham, são cada vez mais freqüentes.

O fenômeno é tão comum nas sociedades contemporâneas mais industrializadas que recebeu uma tipologia: DINC (Double Income and No Children), que remete a um arranjo familiar em que, como não há necessidade de cuidar de crianças, o casal pode se dedicar mais ao trabalho e ao lazer.

Os dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) referentes a 2007, revelam que, no Brasil, os casais em que ambos os cônjuges tinham rendimentos e nos quais as mulheres não tiveram filhos representavam 3,4% dos domicílios, o que corresponde a 1,9 milhão de casais.

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Em quase 60% deste tipo de casal, a pessoa de referência tinha até 34 anos de idade. O IBGE concluiu que os dados refletem um adiamento da fecundidade e a busca por melhores posições no mercado de trabalho. As pessoas estão cada vez mais focadas em suas carreiras.

Homens e mulheres

A mesma pesquisa revelou que a distância entre o número de mulheres em posição de liderança nas empresas e o número de homens caiu no Norte e no Nordeste. No Brasil inteiro, em 2007, apenas 4,2% das mulheres, contra 5,5% dos homens, estavam ocupadas na categoria de dirigentes em geral.

Com os dados referentes ao Norte e ao Nordeste, no entanto, percebe-se que a supremacia masculina não se confirma em todas as regiões do País.

Enquanto no Piauí, por exemplo, o percentual delas (3,6%) em cargos de liderança até supera o dos homens (3,4%), no Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, os percentuais de mulheres dirigentes estão mais de 1,7 ponto percentual abaixo dos mesmos indicadores masculinos.

Da mesma forma, os diferenciais encontrados entre homens e mulheres no Pará, Ceará, Pernambuco e Bahia são muito menores do que nas unidades de Federação onde os valores culturais, em princípio, não seriam tão determinantes na definição de postos que exigem maior qualificação e autoridade.

Segundo o IBGE, uma explicação poderia ser a maior escolaridade das mulheres naquelas mesmas regiões supostamente mais conservadoras.

Escolaridade feminina aumenta

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As mulheres brasileiras nas áreas urbanas do País apresentam, em média, um ano a mais de escolaridade do que os homens. No Distrito Federal, as mulheres apresentam a maior média de anos de estudo do País (10,4).

O fato é que a escolaridade delas é sempre superior à dos homens, principalmente no Norte e no Nordeste, com destaque para o Piauí, onde a diferença é de quase dois anos.

Mesmo nessas regiões culturalmente mais tradicionais, as mulheres também têm se destacado na condição de pessoa de referência nas famílias. No Norte e no Nordeste, a proporção de mulheres nessa condição é de 34,7% e 32,1%, respectivamente.