Casais que trabalham fora têm mais benefícios que problemas, afirma pesquisa

Conceito dual career já é comum no País, onde cada vez mais casais estão dispostos a atuar em casa e no trabalho

SÃO PAULO – Um recente estudo desenvolvido pela pesquisadora Heliani Berlato dos Santos, para sua tese de doutorado, revela que não apenas as mulheres estão mais empenhadas em se desdobrar dentro de casa e também no trabalho, mas também os homens. Ao que parece, o conceito dual career (dupla carreira) tem atingido muitos casais brasileiros, revelando mais benefícios do que problemas.

O principal deles, de acordo orientadora da pesquisa e também coordenadora do Procar (Programa de Vida e Carreira) da FEA/USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo), Tania Casado, tem sido a melhora da autoestima dos casais.

Segundo ela, ao realizar mais de uma tarefa, os casais, em particular as mulheres, costumam se sentir melhores.

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“Historicamente as mulheres têm mais dificuldade de entrar no mercado de trabalho em níveis iguais aos dos homens e, ao conseguir esse feito, elas se sentem mais realizadas e satisfeitas”, diz.

Outros benefícios apontados pelo levantamento são o orgulho do cônjuge e a melhora da renda, que é favorecida pela dupla carreira.

Conflitos x idade
Já em relação aos conflitos, figuram entre os mais apontados o estresse, a influência da carreira no momento da maternidade e paternidade, bem como a relação do trabalho versus a família.

“As mais jovens, principalmente, começam a ser bem sucedidos na carreira e postergar a maternidade cada vez mais e, em um determinado momento, começam a apresentar problemas por conta disso”, relata a profissional.

De acordo com o levantamento, apesar de menos importantes que os benefícios, os conflitos tendem a ser mais relevantes conforme a idade dos envolvidos nas pesquisas, sendo os mais jovens os mais afetados por eles.

“A moçada entre 20 e 30 anos mostrou uma maior disposição para os problemas, pois é justamente nessa faixa etária que os mesmos vivenciam pela primeira vez a própria vida conjugal e a vida profissional”, explica.

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Modelo familiar
Motivado pela mudança do modelo familiar tradicional, o estudo avaliou a relação entre homens e mulheres que precisavam trabalhar fora de casa, questionando como os mesmos conciliavam tal atividade com o universo familiar sem, com isso, abrir mão da própria carreira.

“Para mensurar tais dados, a pesquisa contou com a participação de 340 participantes que já estudaram na FEA-USP – casados de forma legal ou não”, informou a pesquisadora e autora da tese de doutorado, Heliani Berlato dos Santos.

Identificação e tipos
Segundo ela, à partir de um agrupamento de indivíduos com comportamentos próximos, foi possível identificar diferentes tipos de dual career. Entre eles, se destacaram: o familista coordenado, o familista convencional, o carreirista coordenado, o carreirista convencional e o acrobata.

“Os familistas priorizam a família, os carreiristas a carreira e os acrobatas atribuem importância similar em ambas esferas”, explica a profissional.

Na amostra, uma maior adesão do tipo acrobata ficou mais evidente. “Isso demonstra que os casais estão dispostos a atuar simultaneamente tanto nas esferas da família quanto na da carreira”, completa.

Resultados
Os resultados permitiram caracterizar também, por meio de estatísticas descritivas, o perfil dos casais de dupla carreira no cenário brasileiro.

De acordo com a amostra, a predominância de pessoas do gênero masculino foi mais acentuada, bem como a frequência de casais legalmente unidos, escolaridade maior do que a graduação e atuação em empresas de grande porte.