Carreira ou dinheiro? Vale a pena abandonar o emprego atual para fazer um estágio?

O universitário precisa pesar o que é mais importante: remuneração ou inserção na área pretendida

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SÃO PAULO – Quando o jovem consegue uma vaga na faculdade, tem o sonho de seguir uma carreira e, em um futuro (de preferência, próximo) conquistar um cargo que lhe proporcione uma certa tranqüilidade de retorno financeiro – e recheado de atividades rotineiras com as quais a pessoa se identifique.

No entanto, traçar esse caminho não é a coisa mais fácil do mundo: além de contar com infortúnios no meio da jornada, como a dificuldade de arrumar um estágio por conta da grande competitividade e, principalmente, conseguir se encaixar na área de maior afinidade, o universitário passa por um outro problema: o valor da bolsa-auxílio.

Estagiário não é empregado

A bolsa-auxílio nada mais é do que a remuneração pelo trabalho executado. No entanto, diferente do emprego com carteira assinada, o estágio não dá uma séria de benefícios ao estudante, como férias, décimo terceiro etc, além de ter uma remuneração baseada no nível acadêmica, ou seja, diferente daquela paga a um profissional.

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Diante desse cenário, fica a dúvida: permanecer no emprego atual, que nada tem a ver com a área na qual estuda, para garantir o pagamento do curso ou ganhar metade do seu salário para entrar de vez no mercado?

Particularidades

Não é possível dar uma resposta direta para isso: cada situação tem sua particularidade. Algumas faculdades, principalmente aquelas que habilitam o estudante para exercer alguma função pedagógica, exigem uma determinada carga horária de estágio para entregar, no final do curso, o diploma de licenciatura.

Portanto, caso seja difícil conciliar o trabalho, essa atividade extra-curricular e, ainda por cima, os estudos, pese bem o que é mais importante para você: ter de recorrer à alguma alternativa para pagar as mensalidades e começar a exercer a função desejada ou perder os anos de estudo por não conseguir tirar o diploma.

Experiência é tudo

Existem ainda outras universidades que não exigem dos alunos experiência na área ou carga horária extra-curricular para liberar o atestado de conclusão do curso. Dessa forma, alguns universitários esperam o período letivo acabar (e com ele aquela obrigação financeira mensal) para então tentar um espaço no mercado de trabalho.

No entanto, é sempre bom lembrar que um dos pré-requisitos na hora de pleitear uma vaga é a experiência prévia. Por mais que o concorrente ainda seja um estudante, esse ponto conta como um diferencial. Se para quem procura um estágio é assim, a cobrança quando se está formado é ainda maior.

Em outras palavras, curso e mercado se complementam. Da mesma forma que é mais difícil para alguém que não tem nível superior conseguir um posto que garanta uma boa remuneração, é complicado para o recém-formado sem experiência encontrar alguma empresa que queria lhe ensinar o que ele já deveria saber.

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É de conhecimento geral que só o mercado garante aquele “traquejo” e “jogo de cintura” da profissão. A faculdade é sim a base para tudo isso, mas o profissional só ganha essa denominação quando pratica aquilo que aprendeu na teoria.

Alternativas

Antes de decidir abandonar o emprego convencional e se aventurar pela sua área de formação (e possivelmente contrair uma dívida com a universidade) vale lembrar que existem programas que emprestam dinheiro para pagamento de cursos superiores. Um deles, bastante conhecido, é o Financiamento Estudantil (Fies), do governo federal.

Informe-se no Ministério da Educação e Cultura ou então na Caixa Econômica Federal sobre prazos e requisitos para participar do programa. Além disso, as próprias universidades oferecem programas de bolsa de estudos por desempenho ou por comprovação de renda. Vá até o atendimento ao aluno da sua e veja quais as possibilidades.

Seu direito

Em um caso extremo, quando você já optou pelo estágio e pela bolsa-auxílio e não pode mais pagar a mensalidade, lembre-se: o Código de Defesa do Consumidor (CDC) expressa que o estudante tem direito de continuar a freqüentar as aulas e não pode sofrer qualquer tipo de humilhação (como bloqueio das catracas, confisco de provas e documentos etc), mesmo que inadimplente.

Porém, a universidade não é obrigada a renovar a matrícula no período letivo seguinte. E se o estagiário já não freqüenta mais o curso, acaba perdendo o vínculo com a empresa onde aprende a função. Nessas horas, o que vale é ir até o financeiro da entidade de ensino e tentar um acordo para não perder a vaga, nem na faculdade, e nem no mercado de trabalho.