Carreira: mulheres escondem fato de ganharem mais que marido

Segundo pesquisadora, elas fazem isso para que homem fique com imagem ancestral de provedor

SÃO PAULO – No tempo das cavernas, as mulheres ficavam responsáveis por cuidar dos filhos, e o homem, de sair em busca da caça. Apesar de toda a luta delas para conquistarem espaço no mercado de trabalho, ou mudarem essa visão ancestral, algumas delas ainda agem de maneira a reforçar essa idéia de que o homem é o provedor.

A opinião é da diretora da empresa de pesquisas H2R, Marcela Bárbara. “É uma contradição. As mulheres lutaram tanto pelo feminismo e pela independência e algumas delas escondem que ganham mais que eles para que o homem fique com a imagem de provedor”, afirmou.

A conclusão da diretora foi tirada com base em pesquisa feita com 150 pessoas, que tinha como objetivo avaliar como elas lidam com a questão financeira no casamento.

Sucesso

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A diretora ainda disse que o motivo da omissão é o fato das mulheres mostrarem para a sociedade que têm um bom casamento, ou de sentirem orgulho pelo sucesso profissional do marido, o que é feito inconscientemente.

Mas esse tipo de postura não prejudica a carreira da mulher. “Ela vai continuar se comportando de maneira a ascender a própria carreira no momento em que está trabalhando”, afirmou Marcela.

Com relação às despesas nas residências, a pesquisa mostrou que os homens, mesmo ganhando menos, custeiam aquelas mais importantes, como o pagamento da parcela do financiamento da casa, enquanto as mulheres ficam com o mais superficial, como roupas.

Mercado de trabalho

A participação das mulheres no mercado de trabalho tem aumentado cada vez mais.

Em 2006, elas somavam 42,6 milhões. De 2004 para 2005, essa participação cresceu de 43,1% para 43,5%. Já de 2005 para 2006, o percentual passou para 43,7%, de acordo com a Pnad 2006 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Com relação aos níveis mais altos de escolaridade, quase 43,5% das mulheres concluíram o ensino médio (11 anos ou mais de estudo). Por outro lado, apenas um terço dos homens possuía esse mesmo grau de instrução. As mulheres mantêm esta liderança desde 1996.