Carreira do presente

Carreira em dados paga até R$ 34 mil e deve gerar 6,1 milhões de empregos até 2022

Protagonismo na área faz com que novas carreiras sejam criadas com salários acima da média

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SÃO PAULO – Em alta no mercado de trabalho, a carreira na área de Dados pode pagar salários de até R$ 34 mil, segundo o Guia Salarial 2020 da consultoria em recrutamento Robert Half.

Divulgado na última edição do Fórum Econômico Mundial, o relatório “Jobs of Tomorrow: Mapping Opportunity in the New Economy” indicou a área de Dados e Inteligência Artificial como uma das áreas responsáveis por criar 6,1 milhões de empregos até 2022.

A demanda cresce em paralelo ao desenvolvimento de tecnologias para armazenamento e análise do grande volume de dados gerados diariamente e da utilização dessas informações no processo de tomada de decisões das empresas.

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A formação de profissionais, porém, não acompanha a necessidade do mercado, que sofre com a ausência de mão de obra qualificada capaz de desenvolver soluções para os mais diversos problemas envolvendo o uso de dados.

As primeiras graduações em Ciência de Dados surgiram recentemente no Brasil focadas em um currículo interdisciplinar, com disciplinas nas áreas de matemática, estatística, programação, modelagem de dados e inteligência artificial.

Segundo o coordenador e professor do curso de Ciência de Dados da Fundação Getúlio Vargas, Yuri Saporito, um dos desafios da formação é preparar os futuros profissionais para atuar com análise de dados em diferentes mercados.

“Não basta saber aplicar os métodos matemáticos ou programar, porque dominar os dados em si é uma tarefa importante. É preciso compreender como eles chegam, os modelos famosos já aplicados na área e saber como são tratados os problemas em relação aos dados, que variam de acordo com o setor de atuação do profissional”, explica Saporito.

Oportunidades

O cientista de dados é considerado um dos protagonistas nas discussões sobre as profissões do futuro por conta da ligação do cargo com a área de negócios e tecnologia, mas o segmento de dados abrange outros tipos de profissionais com possibilidades de carreiras promissoras.

Engenheiro de Dados, Analista de Business Intelligence, Gestor de Desenvolvimento de Negócios de Inteligência Artificial, Engenheiro de Machine Learning, Analista de Dados, Especialista em Analytics e Arquiteto de Dados são alguns dos profissionais existentes no mercado que compõem a área responsável por gerenciar e desenvolver ferramentas que traduzam e atribuam valor aos dados coletados.

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O perfil e funções desenvolvidas por cada um diferem consideravelmente a depender da empresa, porque a área ainda é muito nova, mas a vantagem competitiva que a atuação desses profissionais traz aos negócios já é vista como necessária, como explica o Program Manager da Ironhack – escola de tecnologia presente em oito países -, Rogério de Aguiar.

“Muitas das empresas, por causa do Vale do Silício, perceberam que iriam morrer se não começassem a fazer esse tipo de trabalho. O paradigma da mudança passa também na forma como os gestores entendem o mercado: eles estão parando de tomar decisões com base no feeling para utilizar os dados. Para isso, é preciso de um profissional capacitado que consiga apresentar soluções baseadas em evidências”.

Outra variável apontada por Aguiar para explicar o aumento da demanda por profissionais na área, que como consequência tem levado a criação de novas carreiras e a reinvenção de outras, são os custos de manutenção do data lake, repositório que armazena diversos tipos de dados. 

“Hoje em dia é possível coletar vários tipos de dados e o aumento dessas informações encarece o seu armazenamento. Como os negócios são baseados em métricas, as empresas pararam só de coletar as informações e passaram a analisá-las par a ter algum retorno, explica.

Com as empresas deslocando suas visões estratégicas para área, colocando a exatidão dos dados como ponto central na busca pela competitividade e sustentabilidade de crescimento nos negócios, os salários desses profissionais passaram pelo mesmo processo de valorização.

A remuneração média inicial do Cientista de Dados, no Guia Salarial 2020 da Robert Half, por exemplo, é de R$ 13.100, enquanto o analista de B.I pode ganhar até R$ 20.450 no nível de especialista.

De acordo com o relatório da consultoria, “a conexão digital e o conceito de inovação já tomaram conta do mundo”, como a tendência é que o cenário de transformação digital se intensifique, essa realidade aquece o mercado para os profissionais do setor.

Posições em altaPerspectiva de remuneração em 2020 
Gerente de DadosDe R$17.00 até R$34.600
Gerente de BIDe R$ 15.450 até R$ 31.450
Cientista de DadosDe R$ 13.100 até R$ 26.700
Analista de NegóciosDe R$ 9.250 até R$ 18.850
Especialista de BIDe R$ 10.050 até R$ 20.450
Analista de BI SêniorDe R$ 8.500 até R$ 17.300
Analista de BI PlenoDe R$ 6.200 até R$ 12.550
Analista de BI JuniorDe R$ 3.850 até R$7.850

A facilidade de inserção no mercado de trabalho e a grande perspectiva de retorno financeiro têm atraído para as carreiras em dados profissionais de áreas como estatística, engenharia da computação, marketing e administração, que se beneficiam da interdisciplinaridade do segmento e investem em conhecimentos complementarem às suas formações iniciais para se destacar.

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Para o especialista em recrutamento e CEO do Trampos, plataforma de empregos voltada para área de tecnologia e inovação, Tiago Yonamine, além das habilidades em programação (Phython, R, SQL) e matemática, os profissionais de dados precisam ter facilidade em apresentar os insights gerados pelas análises.

“A carreira está presente em várias empresas, que não necessariamente tem como core business tecnologia ou dados, isso faz com que o profissional tenha que saber se comunicar da melhor forma possível, elaborando uma narrativa clara com os dados traduzidos que gere insumos para tomada de decisões em outras áreas”, pontua.

Perspectivas

Para o futuro, Yuri Saporito, da FGV, acredita que as carreiras na área continuarão em alta porque as empresas conseguiram capitalizar e agregar aos seus negócios a ciência de dados.

“É uma mudança de paradigma de como a gente olha o nosso comportamento digital e como essa acumulação de dados acontece em todos os aspectos da vida. Está na medicina, na economia, no mercado financeiro, na forma como a gente se relaciona e locomove nas cidades e isso tudo gera informações que podem nos ajudar a resolver diversos problemas”, aponta.

No mercado de trabalho, Rogério de Aguiar acredita que o amadurecimento das carreiras na área irá dificultar a entrada de novas pessoas no setor.

“Até os próximos sete anos, principalmente no Brasil, vão continuar surgindo muitas vagas para pessoas júnior, porque o mercado local ainda é muito incipiente nessa área. Com o tempo, acredito que ficará mais difícil entrar no mercado de trabalho de dados, mas, em compensação, isso pode impulsionar a busca por profissionais seniores”, complementa.

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