Carreira: de que maneira a crise internacional afeta o mercado de trabalho?

Se ela se agravar, pode mexer com a intenção dos empresários de fazer novas contratações, dizem especialistas

SÃO PAULO – A crise financeira norte-americana parece não ter afetado ainda o mercado de trabalho brasileiro. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostraram que, mesmo com um cenário internacional agitado, a taxa de desemprego caiu em agosto, frente a julho, passando de 8,1% para 7,6% nas seis principais regiões metropolitanas.

A pergunta que fica, diante disso, é se de alguma forma o mercado de trabalho nacional poderá ser afetado pela crise internacional. Será que ele está blindado? De acordo com o responsável pela Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, Cimar Azeredo, a economia brasileira não está se rendendo à crise. “até o momento, o mercado de trabalho não mostra sinais da crise internacional”, afirmou.

Ainda não afetou, mas pode afetar!

Apesar de não ter impactado no mercado de trabalho, a crise ainda pode impactar. De acordo com Fabio Susteras, economista do Banco Real, isso acontecerá caso ela mostre algum agravamento, “o que afeta as expectativas dos empresários em relação aos seus planos de contratação”.

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Já de acordo com o professor de Economia do Ibmec São Paulo, Nuno Almeida, com um menor volume de crédito para a produção, há um menor desenvolvimento do País e das empresas. Consequentemente, a quantidade de contratações cai, o que deve acontecer mais para o final do ano, começo de 2009. “O emprego está em alta, mas deve se reverter, conforme o andamento da crise”, disse.

Conforme ele explicou, a crise afeta os setores que dependem mais do crédito, como a indústria.

Pacote anti-crise

Questionado sobre se o pacote anti-crise, que prevê uma ajuda de R$ 700 bilhões, poderá diminuir os impactos no mercado de trabalho brasileiro, ele disse apenas que atenuará. “O pacote é importante para estancar a crise, mas não resolverá tudo”.

Na noite de domingo (28), o líder do Senado Harry Reid, a do Congresso Nancy Pelosi e o secretário do Tesouro Henry Paulson realizaram o anúncio de que o plano de resgaste estava pronto para a votação. O texto de 110 páginas segue para avaliação dos congressistas nesta segunda-feira (29) e, depois, ao Senado, na terça-feira (30).

Como o esperado, o “programa de alívio de ativos com problemas”, ou “TARP”, na sigla em inglês, prevê que os US$ 700 bilhões a serem liberados para o Tesouro serão entregues em parcelas. Primeiro, serão disponibilizados US$ 250 bilhões. Mais US$ 100 bilhões após pedido por escrito da presidência e os US$ 350 bilhões restantes depois de uma avaliação da efetividade do plano pelos congressistas.
Fechamento do ano garantido

Mesmo que, no final do ano, a crise afete o mercado de trabalho, isso não será suficiente para fazer com que 2008 tenha resultados inferiores ao ano anterior. “Tem que acontecer uma situação muito crítica para que a taxa de desemprego não fique inferior à do ano passado”, ponderou Azeredo, do IBGE, à Agência Brasil.