Carlos Lupi apoia posição da CUT frente à crise e critica miopia dos empresários

"Quando se pede dinheiro público, tem de se prestar contas", avaliou o ministro do Trabalho e Emprego

SÃO PAULO – Em reunião com a CUT (Central Única dos Trabalhadores), na noite desta quinta-feira (22), o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, reafirmou o compromisso do governo brasileiro em preservar os empregos e a renda do trabalhador, por meio da estruturação de um conselho de acompanhamento dos recursos públicos liberados às empresas, a fim de garantir contrapartidas sociais.

“Nossa compreensão é que, quando se pede dinheiro público, tem de se prestar contas. Esta determinação governamental de que a empresa que recebe recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador [FAT] não pode se servir do dinheiro para desempregar, é algo simples”, afirmou Lupi

Segundo ele, além de representantes governamentais, o conselho terá a participação de trabalhadores e empresários, “e deverá acompanhar minuciosamente a aplicação dos recursos do FAT, que tem R$ 160 bilhões de patrimônio e é o principal fomentador do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)”.

Miopia dos empresários

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O ministro condenou a miopia de setores minoritários do empresariado, “gente que tem a visão da idade da pedra, que quer matar a galinha dos ovos de ouro propondo redução salarial”. “Se diminuir a renda, diminui o dinheiro em circulação, cai o consumo e, consequentemente, a crise se agrava. As próprias empresas iriam perder”, afirmou.

O caminho é outro, ressaltou Lupi, citando o caso da política de valorização do salário mínimo, acordada com as centrais sindicais: “Com o aumento para R$ 465, vamos ter mais gente comprando”.

Questionado sobre os dispositivos que podem ser usados para impedir que empresários se aproveitem do apoio do governo, sem a responsabilidade de manter empregos, o ministro lembrou que a lei já prevê a cobrança da antecipação de pagamento e o aumento das taxas.

“O fato é que, com a redução do IPI, o resultado das vendas de automóveis, em janeiro de 2009, foi quase igual ao registrado em 2008, quando estavam no auge. O comércio, em dezembro do ano passado, vendeu 5% a mais do que em 2007, quando as vendas foram recordes. Isso demonstra que estão querendo se aproveitar da crise”, opinou o ministro. É preciso lembrar, no entanto, que, se as empresas contrataram mais para atender à alta demanda, é provável que elas tenham de demitir neste momento.

Análise cautelosa

Segundo o presidente da CUT, Artur Henrique, “a crise afeta os setores de forma diferente, por isso deve ser feita uma análise caso a caso, setor por setor, empresa por empresa”.

Artur avaliou a queda de 1 ponto percentual na Selic como consequência da pressão popular, mas lembrou que o Brasil ainda tem os juros mais altos do mundo. “Hoje aprovamos, no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, uma recomendação para que a próxima reunião do Copom não seja daqui a 45 dias, para que ela seja antecipada. A redução deve acontecer de forma mais acelerada”, finalizou.