Carga tributária maior induz contribuinte a trabalhar menos, sugere pesquisa

Japoneses e americanos trabalhariam mais que europeus porque seu rendimento líquido é maior e não pela questão cultural

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SÃO PAULO – Um estudo elaborado pelo professor Edward Prescott da Universidade de Minnesota nos EUA, e recentemente divulgado pelo Federal Reserve Bank de Minneapolis, coloca abaixo alguns preceitos que a maioria de nós possui com relação à diferença no número de horas trabalhadas em vários países do mundo.

Até então a diferença no número de horas trabalhadas nos EUA e na Europa era atribuída, sobretudo, às diferenças culturais entre americanos e europeus, sendo que os últimos valorizando mais o seu lazer enquanto os americanos dariam preferência a trabalhar mais para aumentar seu poder de consumo.

Contudo, como constatou Prescott em seu estudo, nem sempre a situação foi assim, já que na década de setenta os franceses trabalhavam mais do que os americanos. Nos últimos trinta anos esta situação teria se invertido completamente e no momento os franceses trabalham cerca de 33% a menos do que os seus colegas americanos.

Aumento da carga tributária favoreceu redução da jornada

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Para Prescott, a diferença no número de horas trabalhadas por trabalhadores franceses e americanos se deve não ao fato de que os franceses valorizam mais sua qualidade de vida, mas ao forte aumento da carga tributária na França desde então.

Na visão do pesquisador, a alta carga tributária torna mais caro para as empresas contratar e faz com que o trabalhador leve para casa um salário líquido cada vez menor, o que o incentiva a se aposentar mais cedo, ou receber seguro desemprego ao invés de se reintegrar ao mercado de trabalho formal.

Para justificar sua afirmação Prescott lembra que enquanto a carga tributária na França teria subido de 49% para 59% desde o início da década de setenta, nos EUA ela permaneceu estável em 40%.

Em resposta ao aumento da carga tributária, o número de horas trabalhadas pelos franceses que pertencem à população economicamente ativa teria caído de 24,4 horas/semana na década de setenta para 17,5 horas/semana em meados da década de noventa. No mesmo período os americanos teriam aumentado o número de horas trabalhadas de 23,4 horas/semana para 25,9 horas/semana.

Diferenças entre japoneses e italianos

Prescott também lembra que na década de setenta a diferença na carga tributária dos países era bem menor de forma que a relação entre horas trabalhadas era semelhante nas sete grandes economias mundiais.

Esta situação teria mudado drasticamente desde então, de forma que como fica claro na tabela abaixo, japoneses e americanos, cujas cargas tributárias são menores, trabalhariam mais do que seus colegas italianos, por exemplo, onde a carga tributária é mais elevada.





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País% de impostosHoras trabalhadas
por semana
Itália64%16,5
França59%17,5
Alemanha59%19,3
Canadá52%22,8
Reino Unido44%22,9
EUA40%25,9
Japão37%27,0

Fonte: Edward Prescott, Universidade de Minnesota

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