Capes monta estratégia para reformar ensino de engenharia no Brasil

Foco principal é aumentar o número de formandos para 70 mil ao ano no país, que está hoje em 40 mil

SÃO PAULO – Especialistas reunidos pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) não pouparam críticas ao sistema de ensino de engenharia no Brasil, por meio de documento enviado ao MEC (Ministério da Educação).

O material contém uma série de propostas com o objetivo de melhorar o ensino das engenharias no País. Batizado de “Plano Nacional Pró-Engenharia”, o projeto coloca em xeque a falta de especialização dos profissionais, que não atendem às novas demandas do mercado nacional.

Conforme informações da UnB Agência, o foco principal do texto refere-se ao aumento do número de formandos para 70 mil ao ano – hoje são 40 mil. Na Índia, por exemplo, são 220 mil novos engenheiros por ano. O plano prevê investimento de R$ 300 milhões a serem aplicados em cinco anos, com recursos da União.

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O documento propõe critérios para aplicação dos recursos nas universidades que já oferecem cursos na área. Somente as que obtiveram nota acima de 4 no Enade e que tenham pelo menos 50% dos professores em dedicação exclusiva receberão a verba.

Modelos
A estratégia montada pela Capes para compensar esse baixo número de formandos visa a diminuir a evasão dos cursos de engenharia no País. Nas universidades públicas, por exemplo, a média de evasão é de 60%. 

Segundo o diretor da Faculdade de Tecnologia da UnB (Universidade de Brasília), Antônio César Brasil, o problema acontece no mundo todo, motivado principalmente pela dificuldade com matérias básicas como Matemática, Física e Química. “Se não tomarmos logo uma atitude, o mercado pode ter um apagão de profissionais na área nos próximos cinco anos”, afirma.

O estudo encomendado pela Capes revela que, em 2007, 450 mil candidatos disputaram 198 mil vagas nas engenharias em vestibulares por todo o Brasil. No entanto, apenas 115 mil foram preenchidas. De resto, 80 mil vagas ficaram sem preenchimento.

“Para aumentar as vagas em cursos de engenharia, é preciso que o governo faça um investimento real”, avalia o professor Geovany Araújo Borges, do Departamento de Engenharia Elétrica da UnB. “Em países como Coreia e China, o número de profissionais cresceu e permanece aumentando em razão da preocupação desses governos com o desenvolvimento. Isso é resultado de um planejamento governamental”, completa.

Baixa qualidade
Outro problema apontado pelo documento é a qualidade do profissional que se forma. Segundo o Índice Prontidão Tecnológica, calculado pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa a 59ª posição entre 175 países. Significa que os jovens profissionais brasileiros devem muito em relação à capacidade de responder de forma inovadora aos desafios do mercado. 

Borges diz que as universidades formam engenheiros capazes de realizar diversas tarefas. “A academia dá uma formação geral para que ele se especialize no mercado. As empresas possuem responsabilidade na formação de profissionais”, afirma.

O professor cita a Universidade Petrobras, que possui cursos de formação e treinamento para os jovens engenheiros. “É ali que eles aprendem a operar os softwares específicos da empresa”.