Capacidade de antecipar eventos é trunfo de grandes investidores, mesmo na crise

Estratégia de administradores que encabeçam ranking da revista Alpha fez do ano da crise um período de grandes retornos

SÃO PAULO – Em um ano em que a maioria dos investidores teve motivo de sobra para se queixar, uma minoria conseguiu se destacar, fazendo de 2008 um ano de oportunidades e grandes retornos. O que esses poucos privilegiados têm em comum? Parece ser a sua capacidade de antever determinados acontecimentos.

O ranking dos “top 25” administradores de fundos de investimentos, elaborado pela revista norte-americana Alpha, mostra que a estratégia adotada por eles os levou a escapar da enxurrada de perdas em Wall Street e até receberem uma boa remuneração pelo seu serviço.

Altos executivos, principalmente de hedge funds, conseguiram tirar um total de US$ 11,6 bilhões no último ano por superarem o desempenho do mercado durante a crise.

Liderando o ranking

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Entre os principais, James H. Simons, ex-professor de matemática e que lucrou bilhões durante anos para o fundo Renaissance Technologies, recebeu US$ 2,5 bilhões em 2008 negociando através de um sistema de operações comandado por computadores.

Logo em seguida vem John A. Paulson, presidente da Paulson & Co., um hedge fund com sede em Nova York, com ganhos declarados de US$ 2 bilhões, que apostou contra o mercado imobiliário norte-americano. E em terceiro, o famoso investidor George Soros, com US$ 1,1 bilhão.

Obviamente, esses são exceções e não a regra. No período, dois de cada três hedge funds registraram prejuízos.

Estratégia de sucesso

Quando comparados com outros investidores, esses poucos privilegiados parecem dividir uma mesma capacidade: aquela de antecipar acontecimentos. Exemplo disso é Paul Touradji, que previu a bolha das commodities no ano passado e alertou seus clientes, prevenindo-os de grandes perdas.

Como resultado, Touradji recebeu US$ 140 milhões, conforme aponta o ranking da Alpha. No mesmo sentido, Raymond T. Dalio CIO (Chieff Investment Officer), da Bridgewater Associates, lucrou US$ 780 milhões uma vez que conseguiu “antecipar a crise”, conforme afirmou o seu porta-voz.