Caged: com 119.495 mil novas vagas, junho registrou quinta expansão seguida

O semestre registrou a geração de 300 mil vagas, sendo o pior desde 2003. Segundo MTE, ritmo menor é normal

SÃO PAULO – Com a criação de 119.495 postos de trabalho, o emprego formal registrou em junho a quinta expansão seguida, ainda que o número de vagas tenha sido menor que o registrado em maio, quando 131.557 empregos foram gerados.

Os dados fazem parte do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado nesta quinta-feira (16) pelo Ministério do Trabalho.

O número de desligamentos foi de 1,236 milhão no sexto mês do ano, enquanto foram registradas 1,356 milhões de admissões, registrando um saldo positivo de 119.495 vagas.

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Na análise do semestre, houve expansão de 0,94%, com saldo positivo de 299.506 postos de trabalho, resultante da diferença entre as 7,924 milhões de admissões e os 7,625 desligamentos do período. Apesar do aumento do número de postos, o semestre também foi ruim, se comparado com os últimos semestres, sendo o pior deles, desde 2003, de acordo com a série disponibilizada pelo Ministério do Trabalho.

Nos últimos 12 meses, o saldo também foi positivo, de 1,28%, com acréscimo de 390.322 postos de trabalho.

Segundo o Ministério, a redução no ritmo de crescimento do emprego no mês de junho, comparativamente aos resultados obtidos no mês maio e no semestre ocorre porque os picos de criação de postos de trabalho se manifestam nos meses de maio e abril.

Crescimento setorial

Na análise mensal, dentre os oito setores de atividades econômicas, apenas o Extrativa Mineral apresentou saldo negativo na oferta de trabalho (-26 vagas), embora pequeno.

O setor de Agropecuária foi o que apresentou a maior variação em junho, com saldo positivo de 57.169 postos de trabalho (+3,51%). Esse resultado, segundo o ministério, está mesclado por variações de cunho sazonal (cultivo da café, uva e frutas cítricas).

O Comércio também demonstrou recuperação, embora pequena. Após quatro meses de resultados negativos e uma pequena variação positiva em abril (+0,08%) e maior em maio (+0,21%), o setor responde à recuperação econômica, com saldo positivo de 17.522 vagas (+0,25%). Na Administração Pública, o contingente de assalariados com carteira assinada cresceu 0,10%, resultante da geração de 828 postos de trabalho.

O setor de Serviços obteve expansão de 0,18%, com a criação de 22.877 postos de trabalho, impulsionado principalmente pelos ramos de Serviços de Alojamento, Alimentação e Reparação (+12.982) e Serviços Médicos e Odontológicos (+6.533).

A Construção Civil, por sua vez, teve o melhor saldo mensal de 2009 e o terceiro melhor saldo para o mês da série do Caged, com a geração de 18.321 postos (+0,91%).

Entre as atividades que apresentaram pequenas variações, a de Transformação é a que se destaca. O setor apresentou saldo positivo de 2.001 vagas e demonstrou relativa estabilidade no mês passado, frente a maio, registrando uma variação de 0,03%.

O setor de Serviços Industriais de Utilidade Pública, com saldo positivo de 803 vagas, também apresentou margem de crescimento pequena, de 0,22%.

Análise regional

Ainda segundo os dados do Caged, na análise regional, todas as regiões metropolitanas apresentaram saldo positivo do nível de emprego.

Dessa vez, Fortaleza (+0,57%) e Recife (+0,47%) lideraram as maiores variações no período e criaram 3.587 e 3.049 vagas, respectivamente. No entanto, novamente, São Paulo (+8.989 postos) e Rio de Janeiro (+3.889) foram as regiões metropolitanas que mais empregaram em junho.

Entre as regiões do país, nenhuma apresentou variação negativa na taxa de empregabilidade, sendo que a maior taxa positiva veio da região Nordeste (+0,53%), onde 25.070 postos de trabalho foram criados. No entanto, a região que empregou mais foi a Sudeste, com a criação de 72.002 vagas no mês passado.

A região Sul foi a que apresentou a menor variação no período (0,10%), com a criação de 5.691 vagas, ao passo que a região Norte foi a que menos gerou vagas, frente as demais. Foram criadas 5.545 vagas no período (+0,42%).

Brasil é o único país com saldo positivo, diz Lupi

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“Entre todos os países do G-20, o Brasil é o único com saldo positivo de empregos. O poder de compra, alavancado com o bom crescimento do salário médio dos brasileiros ao longo dos últimos anos, é que está promovendo a continuação da produção, que movimenta a economia”, afirmou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

Lupi espera resultados melhores para o próximo semestre. “Posso afirmar que todos os indicativos avaliados apontam para o crescimento de todos os setores no segundo semestre, quando teremos uma retomada mais intensa do número de contratações. E, assim, alcançaremos mais de um milhão de novos postos de trabalho até o fim deste ano”.