Buscar um cargo visando a outro pode ser eliminatório em processo de seleção

Candidatos acostumados com tal prática podem ser mal vistos pelos os recrutadores e empresários das organizações

SÃO PAULO – Os candidatos que acreditam que uma vaga de trabalho na empresa dos sonhos pode ser a tão aguardada oportunidade de ascensão profissional podem se decepcionar: nem sempre as coisas são simples assim.

Muitas vezes, os colaboradores que se candidatam para uma vaga estão, no fundo, à espera de uma oportunidade em outro segmento de real interesse e, por tal atitude, costumam ser mal vistos pelos recrutadores e também pelos empresários das organizações.

De acordo com a diretora da Projeto RH, Teresa Gama, a situação costuma se agravar, no entanto, quando o profissional manifesta esta intenção durante a entrevista. “Isso pode até eliminá-lo do processo de seleção”, diz.

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Para ela, às vezes, o colaborador possui formação na área jurídica, por exemplo, mas acaba se candidatando para uma vaga de analista de Recursos Humanos, por considerar que, conquistando uma posição dentro da empresa, poderá migrar para o departamento de real interesse.

Honestidade e transparência
Contudo, nada impede o profissional de ter interesse em uma empresa, porém, em outro segmento de atuação. O importante, nesse caso, é que o ele seja franco e informe seus interesses ao recrutador com antecedência, evitando assim constrangimentos futuros.

“Hoje, participar de um processo por participar pega muito mal e, por isso, evitar surpresas é sempre recomendável”, diz o gerente da divisão de vendas da Michael Page, José Eduardo Palladino.

Na opinião dele, o candidato deve ser transparente com o recrutador antes da avaliação, afinal, ao informar seu interesse em uma determinada organização e não na vaga em questão é possível direcioná-lo com antecedência, sem comprometer sua imagem.

“Se apresentamos alguém para um empresário e, no momento da entrevista, o candidato informar não ter interesse na oportunidade, teremos um problema. A imagem do profissional será prejudicada tanto com o recrutador quanto com o contratante, assim como a da consultoria que o apresentou”, diz Palladino.