Brasileiros só não indicam empresa se houve problemas pontuais com o empregador

Segundo especialistas de carreira, no País, é comum ver os profissionais indicarem a antiga empresa aos outros

SÃO PAULO – Um levantamento realizado pela Board Corporate Executive e publicado pela revista Times revelou que 75% dos profissionais americanos que deixaram seus empregos não recomendariam a antiga empresa a outros candidatos. A pesquisa revela que, em 2008, o indicador estava abaixo de 50%.

A explicação é que, quando a economia dos Estados Unidos despencou, o desemprego disparou e as empresas perceberam que poderiam piorar o tratamento dado aos seus empregados, sem sofrer consequências, porque a probabilidade de os trabalhadores encontrarem outro emprego era baixa.

Mas, pensando no Brasil, será que os brasileiros costumam indicar seus antigos empregos a outras pessoas? Para responder a este questionamento, o Portal InfoMoney conversou com especialistas da área.

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Segundo a diretora-executiva da Ricardo Xavier Recursos Humanos, Patricia Fadini, e a consultora em Transição de Carreira da de Bernt Entschev Human Capital, Ordália Segalovich, é comum ver os profissionais do Brasil indicar a antiga empresa aos outros. Segundo a especialistas, isso ocorre tanto nos cargos gerenciais como nos operacionais.

“Aqui no Brasil, a situação é diferente. Quando não ocorre a indicação, é por problemas pontuais, como ética e mal entendido entre o profissional e a empresa. Além disso, no País, falar mal da empresa é visto de maneira negativa”, ressalta Patrícia.

Além disso, Ordália acrescenta que, no caso dos executivos, muitas empresas indicam porque o empregador oferece serviço de outplacement (recolocação), que, além de ajudar na transição de carreira, acaba satisfazendo os funcionários que saem, transformando-os em verdadeiros divulgadores das virtudes da companhia no mercado. Muita gente que passou por esta experiência recomenda o local de trabalho para outras pessoas.

O que dizer na indicação
Como a prática é comum no Brasil, é importante ressaltar o que o profissional deve falar ao outro sobre a antiga empresa. Para ambas as consultoras, é fundamental destacar os aspectos positivos da antiga companhia. “Muitos falam do clima, da política interna e dos benefícios”, diz Ordália.

Sobre as características ruins, a consultora acrescenta que elas devem ser citadas, mas com cautela. “Todos nós sabemos que não existe empresa perfeita, mas, se o profissional indicou, é porque sobressaem os aspectos positivos”. Vale lembrar que o problema que o antigo funcionário tenha tido não é regra que irá se repetir com o outro, já que as pessoas são diferentes e não agem da mesma maneira.