Brasileiros perdem 11,4 dias de trabalho por ano devido aos conflitos

O principal motivo apontado por profissionais para atritos no trabalho foi o estresse, seguido pelo choque de valores

SÃO PAULO – Os profissionais brasileiros perdem 11,4 dias por ano somente para resolver conflitos no ambiente de trabalho. Em outra forma de comparação, é possível dizer que é desperdiçada 1,9 hora por semana, de acordo com pesquisa realizada pela Fellipelli, em parceria com a OPP.

Os brasileiros estão na quarta colocação em uma lista com nove países que mais desperdiçam tempo com estas questões, atrás da Alemanha e Irlanda, ambas com perdas de 3,3 horas por semana, e Estados Unidos, com 2,8 horas. Além dos países citados, Inglaterra, Bélgica, Dinamarca, França e Holanda foram consultados, num total de 5 mil executivos.

Motivos

Na média global, os itens mais apontados como provocadores de conflitos foram as diferenças de personalidades e luta de egos (49%), seguidos pelo estresse (34%) e a pressão por conta da elevada carga de trabalho (33%).

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“Dada a multiplicidade de personalidades existentes em qualquer ambiente profissional e a diversidade de pressões internas e externas em uma empresa, é natural que o conflito exista”, afirmou a sócia-diretora da Fellipelli, Andréa Fellipelli.

Os entrevistados no Brasil apontaram o estresse como a principal causa dos conflitos, com 43% das respostas, seguida pelo choque de valores, com 24% de indicação.

Consequências

A maioria dos entrevistados (76%) viu o desentendimento gerar resultados positivos. Entre eles, estavam melhor compreensão dos colegas (41%), soluções mais adequadas para uma atividade (29%). No Brasil, foram 84% os entrevistados que disseram usufruir bem de situações conflituosas.

Por outro lado, no mundo, 27% dos funcionários viram o atrito dentro do ambiente de trabalho levar a ataques pessoais, enquanto 25% afirmaram que ele resultou em doença e falta no serviço.

Evitando o conflito

Os dados ainda apontaram que, entre todos os países contatados, 85% dos profissionais estão em contato com conflitos, enquanto 29% têm de lidar com eles com freqüência. Quanto às medidas tomadas para evitar um conflito, dois terços dos entrevistaram mundialmente afirmaram que evitaram um colega no trabalho. Outros 18% foram mais radicais e simplesmente pediram demissão.

Não existe uma área imune aos conflitos, mas é possível dizer, com base nos dados da pesquisa, que a chamada ‘linha de frente’ é a que mais sofre com eles. “Esses são os colaboradores que passam o menor tempo na organização, por isso ainda não aprenderam a lidar com a situação”, explicou Adriana.

Os gerentes estão entre os profissionais que mais estão inseridos em conflitos, em função do papel fundamental deles na gestão da equipe. “É importante que esse profissional passe por um programa de coaching para adquirir conhecimento de seu próprio estilo ao administrar conflitos. Isso é fundamental para que o executivo possa se posicionar de forma segura e responsável perante estas ocasiões”.