Brasileiro que trabalha no Japão ganha de duas a três vezes mais do que no Brasil

De acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores, atualmente, cerca de 254 mil brasileiros vivem no Japão

SÃO PAULO – Apesar da diminuição, nos últimos anos, do número de brasileiros que deixam o país para trabalhar no Japão, a quantidade de descendentes japoneses que procuram trabalho na “Terra do Sol Nascente” ainda é significativa.

De acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores, atualmente, cerca de 254 mil brasileiros vivem no Japão. Além da curiosidade em relação aos hábitos e cultura da terra dos ancestrais, as oportunidades de ganhos maiores ainda atraem boa parte deles, que buscam, segundo o presidente da ABD (Associação Brasileira de Dekasseguis), Kiyoharu Miike, um salário cerca de duas a três vezes maior do que ganhariam no Brasil.

Por outro lado, diz Miike, as ocupações reservadas aos brasileiros no Japão não são as que possuem salários mais altos, sendo que grande parte destes trabalhadores está empregada com contratos temporários de empresas de pequeno ou médio porte.

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Mudança de perfil
Segundo dados da ABD, a migração de brasileiros para o Japão teve início na década de oitenta. Neste período, a maior parte dos dekasseguis, como são chamados os brasileiros que trabalham naquele país, era formada por homens de idade média avançada, casados, chefes de família, que falavam japonês.

O tempo de permanência destes brasileiros por lá era de, aproximadamente, cinco anos.

Nos últimos anos, contudo, informa o presidente da Associação, os brasileiros que vão para o Japão têm ficado um tempo bem maior ou têm ido para trabalhos de um ou dois meses, caso dos estudantes que aproveitam o período de férias para trabalhos temporários, a exemplo dos realizados por este público nos Estados Unidos.

Terremoto
Por conta do terremoto, tsunami e dos recentes acidentes com usinas nucleares ocorridos no Japão, recomenda Miike, os brasileiros que pretendem trabalhar no País devem esperar que a situação melhore para reavaliar sua posição. Ele lembra que o Japão é um país dependente de energia e que o mercado de trabalho deve ficar abalado nos próximos meses.

No que diz respeito aos brasileiros que já se encontram no país e que, por conta dos últimos acontecimentos, queiram voltar, o especialista em Direito Trabalhista e advogado do escritório Leite, Tosto e Barros Advogados, Arthur Cahen, diz que as consequências da decisão dependem do empregador e do tipo de contrato do trabalhador.

No caso de brasileiros que foram por conta própria ou por intermédio de uma empresa de recolocação, ele diz que a única alternativa é pedir demissão do emprego e voltar, já que o contrato é direto com a empresa japonesa.

Já para os brasileiros, contratados sob o regime das leis trabalhistas nacionais, que estão naquele país porque foram transferidos para unidades mantidas lá, explica ele, caso haja perigo comprovado para a saúde do trabalhador, a empresa deve transferi-lo para locais mais seguros ou trazê-lo de volta.

Se o risco for comprovado, o profissional pedir transferência, mas não for atendido, diz ele, é possível abandonar as funções e voltar ao Brasil e depois entrar com uma ação de rescisão indireta do contrato, que garante ao trabalhador o direito de receber todos os benefícios de alguém que é demitido pela empresa e não que pediu demissão.