Brasil é um dos países com pior disparidade salarial do mundo, constata estudo

Diferença de salário entre principal executivo e operário chega a 61 vezes, no Japão diferença é de apenas 9 vezes

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SÃO PAULO – O Brasil é um dos países onde se registra pior distribuição de renda do mundo. Esta disparidade pode ser facilmente constatada ao se analisar a diferença de remuneração entre os funcionários de uma empresa.

A análise desta diferença foi objeto do estudo “Estratégia de Remuneração Eficiente em Tempos Turbulentos” elaborado pela consultoria Towers Perrin, que envolveu 26 países, dentre os quais o Brasil.

Disparidade é menor em países desenvolvidos

De acordo com o levantamento, publicado nesta semana, no Brasil a diferença entre o salário anual do principal executivo de uma empresa e o salário de um operário desta mesma empresa chega a 61 vezes.

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Segundo o estudo, enquanto o operário ganha um salário anual de cerca U$ 8 mil, ou cerca de US$ 670 por mês, o principal executivo da empresa ganha em média US$ 490 mil, ou cerca de US$ 40,8 mil por mês.

No outro extremo se encontra o Japão, onde a diferença de salário entre o principal executivo e o operário é de apenas 9,5 vezes. Enquanto o operário recebe uma remuneração anual de cerca US$ 48 mil, o principal executivo da empresa embolsa o equivalente a US$ 456 mil por ano.

A tabela abaixo resume o número de vezes que o presidente de uma empresa ganha em relação a um operário em vários países. A surpresa fica por conta dos EUA, que com uma diferença de 44 vezes entre os salários, está mais próximo de países em desenvolvimento como a Argentina e Cingapura, do que de países desenvolvidos como Alemanha e Suíça.



























PaísNúmero de vezes
México63
Brasil61
Cingapura55
Argentina46
EUA44
China36
Reino Unido28
Alemanha21
Suíça20
Japão9,5

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Fonte: Towers Perrin

Dividindo cada vez mais os riscos

Para o consultor da Towers Perrin, Gabor Faluhelyi, o estudo comprova que as economias mais desenvolvidas do mundo são exatamente aquelas em que a distribuição de renda é melhor. Segundo Faluhelyi, o estudo busca orientar empresas em como rever seus programas de remuneração diante da crise econômica mundial dos últimos anos.

De acordo com o consultor, somente os salários dos principais executivos teriam sofrido reajuste de 10% acima da inflação. Nos demais casos, os reajustes teriam sido bem menores, iguais ou até mesmo abaixo da inflação.

Apesar disto, o consultor lembra que, no caso dos principais executivos, a parcela variável da remuneração tem aumentado, e só é efetivamente paga no caso das metas estabelecidas serem efetivamente atingidas. A intenção das empresas seria a de dividir os riscos com os funcionários através do compartilhamento de resultados.