Brancos têm o dobro da renda de negros e pardos, revela IBGE

Segundo o instituto, a desigualdade se mantém por tipo de ocupação e nível de escolaridade

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SÃO PAULO – Os brasileiros que fazem parte da população declaradamente negra ou parda apresentaram rendimento inferior aos brancos. Essa é a conclusão da pesquisa Mensal de Emprego Especial sobre Cor e Raça, divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (17), há três dias da comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra.

De acordo com a pesquisa, realizada em setembro, se declararam negras ou pardas 42,8% das 39,8 milhões de pessoas consultadas em seis regiões metropolitanas – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre.

Em relação aos rendimentos habituais, os negros e pardos recebiam, em média, R$ 660,45, valor 51,1% menor do que é pago aos trabalhadores brancos (R$ 1.292,19). A desigualdade se mantém no salário pago por hora real: o primeiro grupo recebe R$ 4,15, enquanto o segundo grupo ganha R$ 8,16.

Nível de Escolaridade

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Embora tanto negros/pardos como brancos aumentem seus rendimentos à medida que se tornam mais instruídos, a relação desigual permanece. Na faixa de 8 a 10 anos de estudo (com pelo menos o nível médio completo), os brancos tiveram acréscimo de 250% no salário, enquanto o reajuste para negros e pardos foi de 62%.

Análise setorial

A maior diferença salarial, de acordo com a raça, foi observada em Salvador, onde os negros e pardos possuem rendimento um terço menor do que os brancos. Já Porto Alegre foi a região que registrou a menor diferença.

Na análise segundo a ocupação, o maior diferencial foi encontrado entre os trabalhadores por conta própria: R$ 533,28 para negros e pardos, contra R$ 1.046,16 para os brancos, o que corresponde a 49,03%. A situação é melhor entre os trabalhadores domésticos, cujo rendimento dos brancos é 14,2% superior ao dos negros e pardos.

Renda per capita

No total das seis regiões pesquisadas, o rendimento per capita dos domicílios chefiados por negros ou pardos foi de R$ 417,23, em setembro deste ano, enquanto os chefiados por brancos atingiu R$ 950,46, com destaque negativo para Salvador.