Bancos voltam a oferecer bônus milionários e retomam polêmica

Há menos de um ano da quase quebra do sistema financeiro e da ajuda governamental, instituições retornam ao antigo "normal"

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SÃO PAULO – Menos de um ano após a quase quebra do sistema bancário e financeiro global, os grandes bancos norte-americanos e ingleses retomaram a prática do pagamento de bônus milionários, na disputa pelos melhores profissionais do mercado. E com a grande ajuda estatal aos bancos, a polêmica acerca do assunto cresce ainda mais.

O tema ganhou corpo neste final de semana na City de Londres – o centro financeiro da capital inglesa. O jornal Telegraph publicou no sábado (15) que o banco Barclays está próximo de contratar Todd Edgar, um dos mais famosos operadores de commodities da cidade, e a sua equipe, hoje no JP Morgan.

O montante a ser pago para os cinco operadores pode chegar a &Pound; 15 milhões. Além disso, eles poderão ter uma parcela dos lucros futuros, o que elevaria o valor até &Pound; 30 milhões, sendo que metade poderia ser abocanhada sozinha por Edgar, revelaram fontes não identificadas ao jornal.

Reguladores x banqueiros

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Alistair Darling, ministro do Gabinete – responsável por todas decisões sobre assuntos econômicos e financeiros – indicou durante o final de semana que buscará aprovar leis que limitem as compensações que encorajam a tomada de risco nos principais bancos do país. A indústria bancária rebate a ideia. Para Angela Knight, chefe da BBA (British Bankers’ Association), os bônus elevados são pagos apenas quando há resultados, o que também se traduz em maiores pagamentos de impostos.

E os bônus futuros refletem o longo prazo, desencorajando a tomada excessiva de riscos, explica. O Barclays está entre os bancos que solicitaram recursos do BoE (Bank of England) e do Tesouro, ao longo da crise.

Em Wall Street

Assim como em High Street, em Nova York altos executivos também possuem razões para temerem mudanças em seus pagamentos. Kenneth Feinberg, conselheiro do presidente Barack Obama para pagamentos de executivos, iniciou a revisão de pagamentos de altos funcionários de sete companhias (Citi, AIG, Bank of America, Chrysler Financial, Chrysler Group, GM e GMAC) que receberam dinheiro estatal e ainda não o pagaram. Há, segundo ele, a possibilidade de pedir a devolução de salários já pagos. Cada uma terá que entregar, até a próxima sexta-feira (21), um relatório acerca do pagamento dos 25 executivos mais importantes.

Um dos casos mais simbólicos da polêmica do bônus é o do operador de energia do Citi, Andrew Hall. O executivo teria recebido aproximadamente US$ 100 milhões no ano passado em gratificações. Há rumores de que o Citi estaria o pressionando para aceitar o pagamento de bônus em forma de ações. Entretanto, parece improvável que Hall aceite a proposta uma vez que o seu pagamento está atrelado ao desempenho da unidade de commodities Phibro. Enquanto o Citi registrou perdas de US$ 27,7 bilhões em 2008, a subsidiária comandada por Hall anotou um lucro de US$ 667 milhões no mesmo ano.

Ao redor do mundo, as discussões sobre os pagamentos também movimentam o noticiário. Na França, a ministra das Finanças, Christine Lagarde, disse nesta segunda-feira que é necessária a adoção de regras comuns entre os países membros do G-20. Segundo ela, a coordenação além-fronteiras é essencial.