“Bancão” reage à fuga de talentos e cria modelo para segurar gestores

A gestora entra com toda a estrutura, e o profissional de recursos entra com o conhecimento, dedicando-se a escolher onde investir e a buscar bons resultados

Osni Alves

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O mercado financeiro brasileiro tem um problema crônico: os melhores gestores de recursos chegam a um ponto da carreira em que preferem abrir a própria empresa a continuar dentro de uma instituição grande.

O Itaú decidiu enfrentar essa realidade de frente e criou uma estrutura alternativa — em que o profissional tem autonomia para gerir o dinheiro dos clientes, mas sem precisar se preocupar com burocracia, infraestrutura ou marca. Em troca, fica dentro do banco.

O modelo funciona assim: a gestora entra com toda a estrutura — tecnologia, canais de venda, nome e suporte administrativo — e o gestor entra com o conhecimento. Ele faz o que sabe fazer: escolher onde investir e buscar bons resultados.

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As regras são definidas antes de qualquer coisa: quanto vai ganhar, quais são os custos, o que acontece se quiser sair. Nada fica no campo das suposições.

A explicação veio de Carlos Augusto Salamonde, CEO da Itaú Asset, em entrevista ao programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo.

Segundo Salamonde, o modelo nasceu de uma leitura simples do mercado: os clientes queriam mais variedade de produtos, mas a estrutura tradicional da gestora era fechada demais para atender essa demanda. Era mudar ou perder recursos para concorrentes.

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“O papo é reto, a relação é clara”, disse o executivo. Quem não entrega resultado não recebe bônus. Quem quiser sair para montar o próprio negócio pode ir — e, no futuro, pode até se tornar sócio da gestora em alguma parceria.

“Nunca tive nenhuma conversa ruim sobre esse tema”, afirmou, referindo-se aos profissionais que passaram pela estrutura ao longo dos anos.

Parcerias no lugar de rivalidade

Para crescer em áreas mais especializadas — como investimentos em empresas fechadas, imóveis e agronegócio —, a Itaú Asset escolheu um caminho diferente do usual: em vez de construir tudo dentro de casa, foi buscar parceiros internacionais com experiência nesses mercados.

A ideia não é simplesmente revender o produto do parceiro, mas gerir os investimentos em conjunto.

Um dos exemplos citados por Salamonde é a parceria com o KKR, um dos maiores grupos de investimento privado (private equity) do mundo.

As duas casas participam juntas da gestão dos recursos, cada uma contribuindo com o que domina.

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“Por que eu vou querer competir com um cara que é especializado naquele negócio específico, se posso ter uma parceria?”, questionou o executivo.

O mesmo princípio se repete em outras frentes: uma parceria com uma gestora na China e iniciativas em títulos de dívida de empresas da América Latina.

Em todos os casos, a lógica é reconhecer o que se sabe fazer bem — e procurar quem completa o que falta. “Faz parte da nossa cultura não saber tudo”, afirmou Salamonde.

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Para ele, essa humildade não é fraqueza — é uma vantagem. Ao combinar forças com parceiros de fora, a gestora consegue oferecer produtos mais completos sem precisar dominar, sozinha, cada canto do mercado.