Autossabotagem pode ser o motivo de estagnação na carreira

Para psicóloga, boicotes são criados por conta de experiências negativas que a pessoa experimentou ao longo da vida

SÃO PAULO – A promoção não chega, o chefe não reconhece o seu trabalho, você vive com a sensação de fracasso? Muitas vezes, a explicação para todos estes problemas pode estar nas atitudes do próprio profissional, que sabota a própria carreira.

De acordo com a psicóloga e vice-presidente de projetos da ABQV (Associação Brasileira de Qualidade de Vida), Sâmia Simurro, quem se autossabota faz isso inconscientemente, sendo que, geralmente, esses boicotes são criados por conta de algumas experiências negativas que a pessoa experimentou ao longo da vida.

“Quando isso acontece, normalmente, a pessoa passou por experiências negativas durante a vida, o que faz com que ela crie falsas verdades sobre si mesma e a impede de superar eventuais fraquezas”, explica Sâmia.

Situações
Ainda segundo a psicóloga, no trabalho, as situações mais comuns de autossabotagem ocorrem no que diz respeito à organização e preparação do trabalho e em questões ligadas ao reconhecimento.

No primeiro caso, diz ela, geralmente a pessoa acredita que não tem capacidade para fazer determinada ação, adiando, dessa forma, as providências a serem tomadas sobre o assunto. Assim, sem preparo, ela acaba fracassando e confirmando sua própria ideia de falta de capacidade.

“Um exemplo dessa situação é quando o profissional tem dificuldades para falar em público ou defender suas ideias em uma reunião. Nesta situação, a pessoa acaba adiando a preparação para a apresentação e fazendo um trabalho ruim, ou seja, ela se autoboicota”.

Já quando o assunto é o reconhecimento do próprio trabalho, a pessoa acaba se colocando contra ela mesma, não aceitando, por exemplo, elogios vindos do chefe e atribuindo o próprio desempenho à sorte. Situações assim, diz a psicóloga, podem acabar influenciando em uma promoção.

“Muitas vezes, a pessoa quer uma promoção, tem bons resultados no trabalho, mas, por algum motivo, ela acredita que não tem as competências necessárias para o cargo. Assim, quando o chefe a elogia, por exemplo, ela se utiliza da modéstia e acaba se diminuindo”.

Como resolver?
Para resolver a situação e fazer com que as próprias atitudes deixem de atrapalhar a evolução da carreira, Sâmia sugere que o profissional observe suas ações e tente preencher eventuais “gaps” no seu desenvolvimento.

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Além disso, a consultora de recrutamento e seleção da Ricardo Xavier Recursos Humanos, Marion Caruso, fala que o profissional deve observar se os problemas costumam se repetir nas diferentes empresas em que trabalhou, sendo que, se a resposta for positiva, deve procurar a ajuda de um coach ou terapia.

“Uma boa forma de perceber este problema é observando se os males que mais nos incomodam no ambiente de trabalho se repetem, independentemente da empresa, dos gestores ou dos colegas. Este é um sinal de que o problema é com o profissional e ele precisa rever sua forma de agir”.