Aumento real do salário mínimo chegou a 24,25% no governo Lula

Aumento fica bem aquém da promessa de campanha que previa que o salário dobraria em termos reais

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SÃO PAULO – Quem nunca ouviu a velha promessa de candidatos à Presidência da República de que aumentariam, ou até dobrariam, o valor do salário mínimo durante seu mandato? Foi o que aconteceu em 2002, durante a campanha presidencial, quando o atual presidente Lula, então candidato prometeu dobrar o valor do salário mínimo em termos reais.

Mas qual será o resultado deste mandato, com o anúncio na última terça-feira de que o salário mínimo subirá para R$ 350 em 2006, último ano da gestão de Lula?

Valorização do salário

Desde abril de 2002, até abril de 2006, a valorização do salário mínimo é de 24,25% em termos reais, ou seja, esse é o percentual no qual o aumento do salário superou a variação da inflação.

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As informações são do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos), que divulgou os impactos dos reajustes no início da semana (24).

Em seu relatório, o Dieese constata que, caso o aumento anunciado seja confirmado, o salário mínimo terá subido de R$ 200 para R$ 350, ou um aumento em termos nominais de 75%. Porém, como no período em questão a inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) foi de 40,84%, o aumento real acabou sendo bem menor (24,25%).

De quanto teria que ser o mínimo?

Mas, para que nível o salário mínimo deveria subir para que o governo cumprisse a sua promessa? Considerando que o salário era de R$ 200, para que ele dobrasse em termos nominais, ou seja, antes da inflação ele precisaria subir para R$ 400, um aumento de 100%. Porém, como no período a inflação foi de 40,84% segundo o INPC, então o aumento teria que ser ainda maior: de 140,84%!

Em outras palavras, o salário teria que subir para R$ 481,68, quase 37% acima do aumento proposto. Se considerarmos que o próprio Dieese estima que o gasto anual adicional devido ao aumento do salário mínimo é de cerca R$ 25,45 bilhões, não é difícil entender o porquê da promessa não ter sido cumprida.

Afinal, a maior parte dos benefícios pagos pela Previdência Social está atrelada ao valor do salário mínimo, enquanto essa associação direta não for desfeita, não há como pensar em aumento do salário sem um aumento do endividamento público. Endividamento esse que acaba sendo prejudicial ao próprio trabalhador, pois alimenta os juros altos e a alta carga tributária do País.