Atividade econômica continua em tendência de expansão, afirma Copom

Apesar da queda de 1,8% da produção industrial em fevereiro, mercado de trabalho e salário real estão melhorando

SÃO PAULO – A atividade econômica continua em tendência de expansão, afirmou o Copom (Comitê de Política Monetária), em sua ata divulgada nesta quinta-feira. Apesar da produção industrial em fevereiro ter sofrido uma queda de 1,8% em relação a janeiro, o colegiado insiste em afirmar que este desempenho é plenamente consistente com a trajetória de expansão da economia.

Segundo os membros do Copom, deve-se levar em conta que a intensidade da recuperação industrial verificada no segundo semestre de 2003 foi bastante forte, o que implica em uma elevada base de comparação. Além disso, o mercado de trabalho, a massa salarial e as vendas no varejo sinalizam uma tendência mais firme de crescimento.

Setores sensíveis ao PIB estão crescendo

No que se refere à produção industrial, após elevação de 0,8% em janeiro, houve retração de 1,8% em fevereiro, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo o Copom, é normal um arrefecimento do crescimento industrial, após uma expansão mais vigorosa. Para se ter uma idéia, em novembro de 2003, atingiu-se o maior nível de produção industrial verificado na história do país.

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No entanto, cabe mencionar que a produção industrial em fevereiro subiu 1,8% em relação a fevereiro de 2003. Quando analisamos a produção industrial brasileira em 2003 pelo critério de categoria de uso, apenas o segmento de bens de consumo semi e não-duráveis apresentou queda, de 3,1% ainda na comparação entre fevereiro deste ano com o mesmo mês do ano passado.

A taxa de crescimento mais elevada foi a de bens de capital (10,4%), seguida de bens intermediários (4,3%) e bens de consumo duráveis (2,5%), considerando a mesma base de comparação.

Um sinal considerado positivo pelo Copom é que setores mais sensíveis ao aquecimento econômico vêm demonstrando recuperação. Nesse sentido, houve elevação de 0,3% da produção de automóveis em março, em relação ao mês anterior, enquanto que a produção de papelão ondulado permanece na trajetória de crescimento iniciada em setembro.

Varejo reage melhor que indústria

Passando para outro componente importante da economia, o consumo, de acordo com a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), as vendas físicas do comércio varejista na Região Metropolitana de São Paulo cresceram 2,0% em fevereiro, quando comparadas com janeiro. Uma das principais causas do bom desempenho do varejo é a recente queda nas taxas de juros, que torna mais barata a vendas a prazo.

Ainda segundo pesquisa da Fecomercio-SP, a confiança do consumidor registrou retração em abril, de 9,1%, a terceira queda mensal consecutiva. Apesar disto, o Copom argumentou que estas recentes quedas não têm se refletido nas estatísticas das vendas do varejo.

Mercado de trabalho

Apesar do aumento da taxa de desemprego em fevereiro, de 11,7% para 12,0%, o colegiado afirmou que a retração ocorreu pelo aumento da PEA (População Economicamente Ativa) e não pela queda do número de empregos. De acordo com informações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o índice de emprego formal aumentou 0,4% em fevereiro ante o de janeiro.

Além disso, o Copom ressaltou que o trabalhador do setor industrial já começa a sentir efeitos positivos da expansão da produção. Segundo os índices da CNI (Confederação Nacional da Indústria), o pessoal empregado e a massa salarial real aumentaram 0,4% e 1,1% em fevereiro, respectivamente, ante janeiro. No caso dos dados da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o crescimento do emprego no primeiro trimestre de 2004 foi o maior desde 1999.