As empresas japonesas estão contratando. Será que vale à pena trocar de emprego?

Nessa época, surgem ofertas de emprego por salários maiores, porém é preciso pesar bem tudo antes de fazer a escolha

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SÃO PAULO – Sair do Brasil para trabalhar no Japão é um grande desafio. Afinal, além da necessidade de se adaptar à cultura é preciso trabalhar intensamente para poder juntar uma boa soma de dinheiro que valha a viagem.

Em 2005, as condições do mercado de trabalho melhoraram, já que diante da retomada do crescimento econômico, as empresas aumentaram salários, pagaram bônus mais altos e, sobretudo, voltaram a contratar. E, você agora que se acostumou com o emprego, não sabe ao certo se deve trocar de emprego, para obter um salário maior, ou se deve dar preferência à estabilidade, que conquistou com tanto esforço.

Faça as contas e veja se a diferença vale

Antes de mudar de trabalho num piscar de olhos em busca de uma remuneração melhor, reflita com calma. Em primeiro lugar, faça as contas. Para quem acabou de chegar é comum perder a referência diante da nova moeda. Por isso, tenha à mão a taxa de câmbio iene-real, ou iene-dólar, para se situar melhor.

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Feito isso compare os salários, mas não se esqueça de avaliar a possibilidade de hora-extra. Procure entender qual seria o impacto financeiro se, após alguns meses, você viesse a perder o novo emprego.

Procure entender as condições oferecidas pela nova empresa em termos de benefícios e quais os custos extras que terá que incorrer com a mudança. Você vai gastar mais com transporte e alimentação? Em um primeiro momento, um aumento de 5% em um país que sofre com a deflação há anos pode parecer muito atrativo, mas o que aconteceria se você perdesse o emprego poucos meses depois?

Estabilidade pode ser mais vantajosa

No mundo inteiro a estabilidade no trabalho é vista como uma característica importante do profissional. Assim, trabalhadores que mudam muito freqüentemente de emprego não são levados tão a sério, sobretudo, no Japão, onde a fidelidade à empresa é muito valorizada.

A troca constante de emprego pode levar as empreiteiras a considerá-lo um “aventureiro” o que, no longo prazo é prejudicial. Além disso, no Japão, a estabilidade pode render certas regalias, como férias mais longas, ainda que não remuneradas. Em caso de cortes de pessoal, os funcionários com mais tempo de casa também têm prioridade para continuar com seus postos.

Além disso, com um emprego estável fica mais fácil para você se organizar financeiramente, traçar planos e metas e planejar as despesas, sem surpresas no fim do mês.

Como garantir estabilidade no emprego?

Existem alguns pontos básicos a serem observados para que você possa se mostrar fiel à sua empresa e ganhar a confiança dos seus superiores. Em primeiro lugar vem a conscientização de que será uma fase de trabalho duro. Com o alto custo de vida no país, os dekasseguis geralmente acabam tendo que fazer hora extra para poder juntar dinheiro.

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Essa disponibilidade para trabalhar horas a mais e, até mesmo nos fins de semana, é muito bem-vista pelos patrões. Saiba seu limite, mas quando você se sentir cansado, lembre-se do seu objetivo e das suas metas e seja persistente.

Outro fator importante é respeitar as regras da empresa. Lembre-se que a cultura japonesa é bem menos flexível que a brasileira. Se no Brasil você já tem de ter responsabilidade com horários de entrada e pausas e normas de comportamento, por exemplo, no Japão, a atenção precisa ser dobrada.

Evite discutir com seus superiores, principalmente se forem mais velhos. No país, os mais velhos são alvo de admiração e muito respeito. Mesmo que não for sua intenção tratá-los com desrespeito, cuide para não passar essa imagem.

Uma outra dica é estudar a língua japonesa. Isso evitará mal-entendidos com seus colegas e até com os superiores, que podem achar que você não os está obedecendo, quando na verdade você não entende o que eles dizem.

Tomando esses cuidados e pesando as oportunidades com responsabilidade, você estará melhorando o aproveitamento da sua estadia no Japão, e deverá se sentir mais seguro longe de casa. Seja sua intenção voltar ou não, isso já vale a pena.