Aproveite momentos de descontração com o chefe para fazer marketing

Nas conversas, tenha tato e seja um bom ouvinte. Não corra o risco de parecer um bajulador, que se aproximou por interesse

SÃO PAULO – No horário do almoço, você resolveu ir a um restaurante perto do trabalho. Para sua surpresa, notou que o diretor de seu departamento estava ali também, almoçando sozinho! Não deu outra. Ele te avistou e perguntou se não gostaria de fazer companhia. Foi quando o nervosismo começou. Afinal, havia conversado com ele apenas sobre assuntos estritamente profissionais! E agora?

Situações como essas são bem comuns. A maioria dos profissionais não tem uma relação muito estreita com a cúpula administrativa da empresa, relacionando-se mais com os superiores diretos, no dia-a-dia. Outros têm contato estritamente profissional com todos os chefes, incluindo o superior direto.

Não é à toa. Geralmente, o contato que se faz no contexto corporativo é muito profissional. Não há espaço nem tempo para contar piadas, falar dos filhos ou relatar experiências de vida.

Cara a cara

PUBLICIDADE

Então o que falar nos momentos de descontração com o chefe? De acordo com a diretora da RMML Consultoria de Imagem Corporativa, Renata Mello, ocasiões como essas devem ser aproveitadas para fomentar sua imagem e fazer marketing pessoal. Uma idéia é aproveitar para contar algumas experiências bem-sucedidas em âmbito profissional. Mas cuidado para não exagerar! “Não conte muitas experiências para não parecer metido”, alerta a especialista.

“Conte seus planos para o futuro, aonde quer chegar e demonstre admiração pela carreira do chefe. Mostre ainda seu lado bom por meio de relatos de sua vida pessoal. Às vezes, com um simples comentário, já dá para perceber se alguém é honesto, cético, bem-humorado, enfim, é possível notar qualidades importantes, que são necessárias ao sucesso profissional”.

Entretanto, faça tudo isso com sutileza e tato, sendo também um bom ouvinte. O motivo é que você corre o risco de parecer um bajulador, que se aproximou apenas por interesse. “Se, de repente, você se deparar com um momento de silêncio, respeite esse silêncio. Não queira começar sempre as conversas. Às vezes, as pessoas acham que precisam falar o tempo todo, mas não é verdade”.

Outra idéia é comentar assuntos da atualidade, casos que foram veiculados na mídia. “Também por meio dos comentários acerca de assuntos atuais, as pessoas passam, ainda que sem querer, seus valores, traços de caráter importantes, mas que no dia-a-dia são imperceptíveis, pois todos estão preocupados em cumprir seu cronograma e pronto”, analisa Renata. Porém, vale ressaltar de novo: dê espaço para o outro e escute o que ele tem a falar.

Vida pessoal

Mais uma possibilidade é dividir parte de sua vida pessoal. Todavia, selecione o que irá dizer. Não conte, por exemplo, das brigas vivenciadas em seu relacionamento amoroso ou do dia em que ficou bêbado e deu vexame. “Não fale tudo o que acontece em sua vida pessoal”, aconselha a consultora.

Encontros no elevador

Os encontros no elevador também causam verdadeiro estresse, mesmo que por alguns poucos segundos! Se você nunca falou com seu chefe pessoalmente – o que é comum em empresas grandes, onde há muitos níveis hierárquicos intermediários – então comece se apresentando. Diga seu nome, sobrenome e o departamento em que trabalha.

“Os encontros no elevador são ótimas oportunidades para se apresentar”, revela Renata. E, antes de ficar nervoso, aprenda uma coisa: não existe um Deus aqui na Terra. “É preciso respeitar, mas não temer o contato somente porque se trata do diretor”.

Cuidado ao abrir a boca

Via de regra, pessoas que ocupam cargos executivos gostam de investigar como andam os colaboradores da empresa, por isso, é quase certo que o chefe vai puxar conversa, perguntando, talvez, algo sobre seu trabalho. Neste caso, nunca reclame, ou seja, não fale dos prazos e do acúmulo de trabalho como se fossem pesos na sua vida. “É um costume falar que o trabalho está puxado para se valorizar. Mas recomendo passar uma mensagem positiva”, avalia.

Além disso, não abra sua agenda. “Não é preciso contar o que está fazendo, o que precisa fazer. Pode pegar mal, porque o diretor normalmente sabe das atribuições de cada um, conhecendo cada projeto em detalhe. E não se esqueça que o tempo é curto”.

No elevador, a regra do respeito ao silêncio também é valiosa. “Diretores tendem a ter jogo de cintura, o que significa que irão questionar algo ou puxar conversa. Mas, se nada for falado, não fique nervoso e tente falar a qualquer custo”. Lembre-se que seu chefe pode ter tido um dia difícil ou estar com inúmeras preocupações em mente, de forma que pode não estar com vontade de conversar naquele momento.