Aprenda a vender suas idéias para a diretoria, com a elaboração de projetos

Boas idéias podem levar a uma promoção, mas, sem base e estudos, profissional pode "queimar seu filme"

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SÃO PAULO – Nada mais frustrante do que ter uma grande idéia que poderia acrescentar muito à empresa, mas que não é aprovada pela diretoria. Saiba que esse não é o único risco de ter uma boa sugestão. Em uma reunião, simplesmente falar de sua idéia, sem argumentos e estudos que dão base a ela, pode “queimar seu filme”, segundo o palestrante e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), Cláudio Tomanini.

“O profissional brasileiro tem um monte de idéias, mas não as conceitua em projeto. O pensamento mais comum é: vou dizer o que é melhor para ser feito, se a empresa não comprar, o problema é dela”, explica o professor. “De boas idéias, o inferno está cheio!”, brinca ele.

Etapas

Vale ressaltar que as idéias são sempre bem-vindas e elas podem levar a uma promoção. Se der certo, a diretoria verá o profissional que concedeu o projeto com outros olhos. O processo de venda da idéia pode ser separado em etapas.

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A primeira é o sonho, ou seja, a concepção dela. Depois, é a hora do pré-projeto de viabilidade ou estudo de pré-viabilidade, que é seguido pelo projeto de viabilidade e pelo projeto final de implantação. A última fase é a da realização em si.

“É importante mostrar à diretoria como fazer, quanto irá custar, quais são as vantagens e qual é o ponto forte do projeto. Por exemplo, a minimização dos riscos”, explica, ao lembrar que hoje existem cursos de MBA e pós-graduação voltados ao gerenciamento de projetos, tamanha a importância do tema.

“Idéias são bem-vindas, mas como implantá-las, o motivo para acatá-las e quanto custará implantá-las são facetas essenciais. Prove que é uma boa idéia e que vale a pena destinar tempo a ela, sempre tendo em mente as três coisas que as empresas querem: arcar com suas responsabilidades, lucro e perpetuação do negócio”, avalia.

Afinal, o que é um projeto?

Segundo Tomanini, a dificuldade das pessoas no dia-a-dia do trabalho começa no entendimento do que é um projeto. “Existem aqueles que acreditam que um projeto é um simples desejo individual ou coletivo, enquanto outros já sabem que se trata de um empreendimento econômico”.

Ele ressalta que os profissionais têm a crença de que projetos são sempre complexos, o que não é verdade. “Um projeto pode ser a obtenção de patrocínio para um pequeno evento ou a entrada em novos mercados”, enfatiza.

Procedimento

Não há dúvidas de que simplesmente dar uma idéia não é bom, sendo importante apresentar um estudo sobre ela. Mas é claro que ninguém fará todo um estudo de viabilidade econômica de uma idéia ou uma pesquisa acerca dos problemas enfrentados pela empresa, sem o conhecimento da cúpula administrativa. Para isso, existe o pré-projeto.

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No pré-projeto, está a fase em que a empresa se encontra e aonde ela quer chegar, segundo a missão, os valores e os objetivos da organização. Também faz parte dele a análise dos motivos do projeto, a avaliação das causas dos problemas ou dos riscos e pontos fortes e fracos da empresa na comparação com seus concorrentes.

Na definição do professor, no pré-projeto de viabilidade (ou estudo de pré-viabilidade), as informações reunidas são preliminares, sem um detalhamento suficiente a convencer o empresário a canalizar recursos para o empreendimento. Como resultado, ele indica a viabilidade em princípio e a necessidade de aprofundamento das pesquisas e estudos para posterior elaboração do projeto em si.

Em outras palavras, não é com o pré-projeto que a alta administração irá decidir o orçamento a ser destinado ao projeto, mas é por meio dele que o profissional consegue o aval para elaborar o projeto em si. O motivo central do pré-projeto é que, não raro, a elaboração do projeto demanda muito tempo e recursos.

Orçamento

Uma vez elaborado o projeto, já se tem idéia do quanto sua implantação irá custar. O problema é que muitos empresários podem reduzir o orçamento. Nessas horas, não bata o pé dizendo que é impossível, mas também jamais aceite sem argumentar, sob a pena de manchar sua imagem profissional. Mostre o que é possível fazer com a quantia estipulada pela diretoria, o que a empresa perde e ganha com esse orçamento e quais resultados são possíveis atingir. Seja realista.

“O ideal é ter um plano B. O plano A será o orçamento ideal e o B seria o quanto a empresa de fato destinaria – o que dá para prever de acordo com a cultura empresarial. 60% ainda é melhor do que nada, mas não é 100%”.