Apesar do ingresso no mercado de trabalho, mulher ainda é “dona de casa”

Tempo destinado por elas aos trabalhos domésticos costuma ser de quatro a seis vezes maior do que o dos homens

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SÃO PAULO – O tempo destinado pelas mulheres aos trabalhos domésticos costuma ser de quatro a seis vezes maior do que o despendido pelos homens, de acordo com pesquisa realizada pelo Ibmec São Paulo, com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A diferença mais discrepante é entre os profissionais, tanto do sexo masculino quanto feminino, que trabalham até 14 horas semanais e possuem cônjuge. Neste caso, as mulheres passam 34,35 horas, em média, por semana, com trabalho doméstico, enquanto os homens passam 7,30 horas.

Quando analisadas as pessoas com jornada no mercado de trabalho de mais de 40 horas, e menos de 44, as mulheres gastam cerca de 19 horas por semana com trabalhos domésticos e os homens, uma média de cinco horas.

Trabalho e vida pessoal

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O estudo, intitulado “Participação no mercado de trabalho e no mercado doméstico: homens e mulheres têm condições iguais?”, mostrou que as mulheres cumprem uma intensa jornada dupla, dentro e fora de casa, enquanto os homens podem dedicar-se inteiramente à carreira.

Um dado que confirma a explicação é de que cerca de metade dos homens trabalha mais de 44 horas por semana, enquanto 26% das mulheres cumprem a mesma jornada. Apenas 15% dos homens trabalham menos do que o período integral, ante 40% das mulheres.

Embora a participação masculina no trabalho doméstico seja crescente nos últimos 50 anos, diz o estudo, as mulheres ainda mantêm o papel de dona de casa, mesmo atuando no mercado de trabalho.

Filhos e a vida pessoal

Ainda segundo o estudo, a presença de filhos em casa aumenta o trabalho doméstico, sendo que as mulheres sofrem o maior impacto. Com duas criança em casa, elas chegam a trabalhar 20,11 horas semanais, em média, ante 18,46 horas, se não fossem mães.

Os homens, por sua vez, trabalham em casa 10,15 horas, em média, tempo que chega a cair para 9,70 horas, quando existem duas crianças em casa.

Diminuição das horas

Educação, renda e horas trabalhadas no mercado de trabalho implicam em diminuição do trabalho doméstico para as mulheres. Profissionais do sexo feminino mais bem educadas lutam mais pelos seus direitos, enquanto homens com maior grau de educação também percebem a necessidade de contribuir para os afazeres domésticos.

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Em relação à renda, cada ponto percentual de aumento do poder relativo à renda resulta em uma redução média de quase oito horas de trabalho semanal em casa para as mulheres. Para os homens, a redução é de duas horas.