Apenas 2% dos alunos cogitam em seguir carreira docente, diz pesquisa

Baixa remuneração, desvalorização social são motivos apontados para não ecolha da profissão de professor

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SÃO PAULO – Você já pensou em ser professor? Se respondeu que não, saiba que não é o único. Segundo levantamento encomendado pela FVC (Fundação Victor Civita) à Fundação Carlos Chagas, apenas 2% dos alunos do Ensino Médio têm interesse em seguir a carreira docente.

“O estudo mostrou que um terço dos jovens entrevistados chegou a cogitar a carreira de professor, mas desistiu em função da baixa atratividade”, afirmou a diretora-executiva da FVC, Angela Dannemann. A pesquisa entrevistou 1,5 mil alunos do Ensino Médio de 18 escolas públicas e privadas do País. 

Baixa remuneração, desvalorização social, falta de identificação profissional ou pessoal e o desrespeito dos alunos foram os principais motivos apontados pelos estudantes para não escolherem a carreira de professor.

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Percepção dos alunos
A pesquisa também apontou a percepção dos entrevistados em relação a ser professor, com aspectos positivos e negativos, conforme mostra a tabela abaixo: 

SER PROFESSOR
POSITIVO  NEGATIVO
Profissional revelanteProfissional desvalorizado
Modelo/exemploProfissional desrespeitado pelo governo
Formador de opiniãoProfissional desrespeitado pela sociedade
Valor socialProfissional desrespeitado pelos alunos

Os estudantes, de modo geral, acreditam que os docentes da escola privada são mais motivados e melhor remunerados. Já os jovens das escolas públicas idealizam o professor da escola particular. Na percepção dos estudantes, os alunos da escola privada são “mais educados” e os da pública “são mais difíceis”.

“Eu vejo muita diferença entre professores de escola pública e de escola particular. O professor de escola particular sempre vem animado para a escola, porque ele sabe que, talvez, ele tenha uma turma um pouco mais bem educada do que o de uma escola pública; e também porque eles são bem melhor remunerados. Não que o dinheiro traga felicidade, mas ajuda”, comentou na entrevista um aluno de escola pública de Joinville (SC).

Cursos mais procurados
As profissões mais almejadas pelos alunos que responderam a pesquisa são Administração, Engenharia, Direito e Medicina. Na escola pública, os cursos de Pedagogia e Licenciatura aparecem em 16º e 24º lugar, respectivamente, enquanto no ensino particular, eles estão na 36ª e 37ª posição.

Entre os alunos que decidem ser professor, 87% estudaram em escolas públicas, 77% são mulheres e metade deles tem uma família cujos pais estudaram no máximo até a 4ª série do Ensino Fundamental. Além disso, 45% afirmam ter conhecimento nulo em inglês e 39% têm renda familiar inferior a três salários mínimos.

De acordo com o estudo, o fator mais atraente para a escolha da carreira docente foi a possibilidade de ensinar e transmitir conhecimentos. Essa atividade parece estar ligada ao prazer de trabalhar com a aprendizagem do outro.

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Possíveis soluções 
A FVC desenvolveu um painel com especialistas na área da Educação para discutir as possíveis soluções para problema de baixa atratividade da carreira docente no País. O painel identificou oito sugestões que ajudariam a melhorar esse cenário. Confira:

  • Oferta de salários iniciais mais altos;
  • Revisão dos planos de carreira para conservação dos bons profissionais;
  • Melhoria nas condições de trabalho;
  • Revisão na formação inicial;
  • Melhorias na formação em serviço;
  • Resgate do valor social da profissão;
  • Proporcionar aos alunos uma boa experiência escolar;
  • Tratar o professor como profissional;

“Para que a educação no País tenha uma evolução constante nos próximos anos, é fundamental que os melhores alunos se sintam atraídos pela carreira docente. Para que isso possa acontece, é necessária uma boa dose de investimentos e medidas do setor público e da iniciativa privada”, finalizou Angela.